Saturday, May 06, 2006

Música Infantil @ PT





Há produção musical infantil em Portugal?

Assisti por acidente a um Top+ e vi o videoclip "Un Monde Parfait" da francesa Ilona Mitrecey que tem encantado a nossa pequenada. A animação 3D é colorida, alegre e tão cativante como a música. Os franceses bem se podem orgulhar de saber entreter a criançada deles (e a nossa também).

E nós por cá, o que de nacional tem a indústria musical para oferecer aos nossos petizes?

Os D'zrt diriam, que são um mega-sucesso. Antes fosse. De nacional só o facto de quem "canta" e dança (e provavelmente esperemos de quem faz os arranjos) ter nacionalidade portuguesa. Já muitos estão a par que a música e a letra do grande hit "Para Mim Tanto Me Faz" não é nada mais que uma importação. A letra é muito baseada de Que Mas Da dos espanhóis Efecto Mariposa enquanto que a sonoridade é mais inspirida na versão japonesa de Nami Tamaki em High School Queen. Três canções, cantadas em países diferentes que não são mais que variações de uma canção de aluguer (uma espécie de stock art musical) de uma produtora musical estrangeira.

No mercado televisivo a SIC na luta com a TVI relança as novelas portuguesas. Floribella que apresenta a sua própria "banda" brevemente deve lançar um CD. Foram buscar felizmente verdadeiras cantoras (Luciana "Borboleta" Abreu e Raquel Guerra dos Ídolos) e um actor/músico (Rodrigo Saraiva) que mesmo assim sempre é mais "músico" que os modelos/"actores" dos D'zrt. Mas mais uma vez a SIC continua agarrada à "brasileirada" como nas suas restantes novelas. O tema musical/genérico "Pobre dos Ricos" não descola quase nada da versão brasileira (que por sua vez não deve ser muito diferente do original argentino). Novamente as televisões não arriscam nada e preferem fórmulas "prontas-a-usar". Entretanto a TVI "refresca" o seu reportório estando já a preparar o caminho para os sucessores dos D'zrt. Podem ainda ser um sucesso mas o ciclo de vida do produto "D'zrt" já não é tão rentável e o público naturalmente começa a precisar de algo mais fresco.

Tanto se fala de não se aposta nas Rádios e TV na música nacional. Mas talvez mais preocupante é que já nem sequer existe produção musical infantil verdadeiramente nacional. Mas este problema já não é de agora. Ana Faria, Onda Choc e Mini-Stars há bons anos atrás não recorriam a mais que hits internacionais. A raíz do problema já vem daí e no facilitismo e na preguiça de produzir algo realmente novo.

Olha-se para o top nacional para perceber a subsistência do problema nos dias de hoje. Os D'zrt são música encomendada e importada, Ilona Mitrecey é um sucesso francês e o Noddy são adaptações do já feito lá fora. Até as Músicas da Carochinha e Escolinha da Música não são nada mais que os velhos clássicos infantis (pouco) recauchutados mesmo que por ex. neste último acrescente animações feitas em Flash e sejam relançados em DVD como Karaoke. E é isto o pouco que temos para oferecer às gerações vindouras.

Já não há Josés Baratas Mouras, Joeis Brancos e Marias Armandas que façam música portuguesa para as camadas mais jovens. Até mesmo as aparições de Carlos Vidal como Avô Cantigas já são escassas e sente-se provavelmente impotente competir com fenómenos marketing como D'zrt. É que as crianças de antigamente culturalmente já não são bem como as de agora. Isso e a produção musical infantil nacional está claro...

4 comments:

jose said...

Quando eu era miúdo tinha um cd do avô cantigas, foi o meu primeiro cd. E era muita bom. Dos Onda Choque nunca fui fã, mas lembro-me perfeitamente que as músicas deles eram vagamente inspiradas (lol) em músicas internacionais. A última música que me lembro deles era uma inspirada na baby one more time da Britney Spears.
Acho que os miúdos são muito mal tratados neste país. E isso é triste. Mas também tem a ver com os gostos e as correntes actuais. Por exemplo ao nível da ilustração há coisas interessantes feitas em Portugal. Há bons livros para crianças, mas não vendem, porque o que as crianças querem é os bonecos da moda e não vêem mais nada à frente.
Bem, eu não vejo futuro nenhum no mundo com os putos que andamos a construir actualmente, mas eu sou um pessimista. :D

Nuno Barros said...

Olha que em ilustração infantil pelo que vi uma vez na tv de vez em quando alguns livros tem algum sucesso. Realmente temos bons ilustradores "cá" e "lá" (tou me a lembrar do português que mora em Inglaterra e ilustrou o livro da Madonna). Cá falta é profissionalismo editorial no sector para fazer projectos com pé e cabeça.

Quanto a quererem os bonecos da moda até esses começam a estar ameaçados. Os putos cada vez mais metem-se cedo nos PC e Consolas e não querem outra coisa.

PS. É incrivel como os Onda Choque chegaram até aos tempos da Britney, nao é?

jose said...

É verdade. Ouvi falar desse ilustrador e folheei o livro e apreciei.
Eu acho que não tem só a ver com falta de profissionalismo editorial, penso que tem a ver com uma inflexibilidade em relação aos padrões estéticos que se estabeleceram e que já não se adequam às crianças de hoje, ou então simplesmente trata-se de uma incapacidade de responder ao que os miúdos querem realmente.
A época dos Power Rangers, da Sailor Moon ou do Dragon Ball foi o despoletar de uma nova era. Hoje os miúdos sentem um apelo enorme, desde muito pequenos, a esse tipo de produção. Querem rapidez e muita cor. Eu vejo isso na minha sobrinha, que tem 5 anos e anda doida com uns novos desenhos animados que se chamam winx, que basicamente são clones de sailor moon misturado com as magias do harry potter.
Mas bem, não sou especialista neste tema. Nem sou especialista em crianças nem na "cultura das crianças", pelo que tudo isto são só meras impressões leves.

Os jogos de PC e consolas contribuiram imenso para esta mudança. Parece-me. Não que seja necessariamente mau. Pode funcionar positivamente ou negativamente. Na maioria das vezes, devido a imensos factores (educação, os media, a própria sociedade), parece-me que funciona negativamente.
Só espero que os miúdos não comecem todos a ser uns alienados. :D
Quanto aos Onda Choque é mesmo incrível. Duraram imensos anos. Tive um colega que pertenceu à banda. Penso que essa da Britney Spears deve ter sido das últimas deles, mas não tenho a certeza.

Nuno Barros said...

O caso dos livros infantis em portugal tem muito a ver com grande parte das editoras chamarem quase sempre os mesmo protegidos da casa para fazerem os livros. E muito deles são pessoas já com alguma idade e com mentalidade um bocado distante para compreender os gostos das crianças de hoje.

Quanto ao WinX acredita que a guerra da série não é com a Sailor Moon mas com a Witch mas isso tem muita coisa que se conte por outros motivos e há-de ter um post próprio. ;)

Tá provado que os videojogos e os PC's, etc desenvolvem bem os neurónios da criança mas naturalmente não se pode meter as crianças quietas em casa ocupando todo o tempo nisso como muitos pais o fazem.