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Saturday, July 22, 2006

Docs



Documentários: O Estado da Arte

O documentário parecia anos atrás um daqueles objectos que mais tarde ou mais cedo iria desaparecer perante um público cada vez virado para o lazer tanto no cinema como na televisão. Mas graças à massificação da televisão por cabo mundo fora isto não veio a suceder e ganhou lá o seu espaço.

Curioso é ver como os documentários tem ocasionalmente ganho espaço em salas nos últimos anos. Tímidamente começou-se com Microcosmos (1996) e vários documentários de vida natural/estilo Imax como a Marcha dos Pinguins (2005) que foi sucesso de bilheteira. Mas estes sempre pactuaram com o "vazio mental" praticado no cinema americano não sendo mais que puro entretenimento familiar. Mas certamente abriram caminho para outros mais incómodos como os manifestos políticos de Michael Moore que foram igualmente um sucesso. Depois surgiu o divertidos Super Size Me (2004) e Guinness Size Me (2005) abordando hábitos de consumo alimentar. Este ano além do documentário de que falo no post anterior já tinhamos tido "Who Killed The Electric Car" também abordando de certa maneira a ecologia. Além de parecer haver vagas temáticas de documentários há principalmente há agora uma maior aposta em temas mais sensíveis o que poderá significar que os distribuidores tem menos medo em exibir documentários mais ousados.

Isto é bom porque pelo inverso tem se assistido a um decréscimo qualitatitivo dos documentários exibidos em televisão. Aumentou é verdade o número de canais ditos documentais seja de biografias, sobre natureza ou até artes mas infelizemente essa massificação trouxe a "estupidificação" do documentário nos dias de hoje certamente tentando-o cada vez mais torná-lo o mais acessível aos telespectadores. Assim documentários sobre animais passam grande parte pela procura do animal mais venenoso, mais mortal, mais X, mais Y. Documentários históricos são meramente reconstituições de batalhas à "braveheart", à "gladiador" e sem muito sumo informativo. E os bio-documentários tentam quase sempre mostrar a podridão e a queda de alguma estrela. Até canais públicos como o Canal 1 quando passa documentários não foge ao sensacionalismo e oportunismo popular. Recentemente foi a vaga de documentários em torno do Código Davinci quando da estreia do filme. E esta semana dedicou-se a um ciclo de documentários catástrofe em quase prime-time. Uma atitude nobre mas que merecia melhores contéudos. Bons contéudos esses que felizmente vão existindo na 2:. Bombordo, A Alma e a Gente de Hermano Saraiva, o excelente Périplo - Histórias do Mediterrâneo com Miguel Portas entre outros bons programas documentais. Mas até na 2: assistimos a documentários como os da Discovery e National Geographic que piscam o olho a um lazer mais despreocupado.

Portanto podemos por enquanto considerar o documentário como tendo algum futuro como não parecia ter anos atrás. Documentários para "massas" coexistem com documentários mais "elaborados". A industria cinematográfica vai dando algum espaço para os documentários se afirmarem nas salas de cinema. Canais televisivos públicos vão transmitindo as várias espécies de documentários. E em Portugal até temos o previlégio de termos um festival, o DocLisboa (cada vez mais prestigiado apesar da ainda curta vida) dedicados a eles. Sendo assim venham mais "docs". :)

Saturday, July 15, 2006

HDTV @ TV Cabo





Finalmente HDTV na TV Cabo...
(Post editado e revisto)

Sim, finalmente alta definição na TV Cabo... daqui a um ano... e se alguma operadora arranjar contéudos para o formato. Recorde-se que a Cabovisão já emite um canal por assinatura de HDTV possivelmente já há mais de um ano.

Anunciado no DN:

A TV Cabo garante que em Junho do próximo ano vai ter a sua rede preparada para transmitir em alta definição (HDTV), sendo necessário que as televisões e os programas sejam de alta definição. Além de adaptar a rede para alta definição e transmissão de voz, a TV Cabo investe na expansão da rede, pretendendo chegar em 2007 a 3,5 milhões de lares.

Anunciado na M&P:

PT Multimédia garantiu que a TV Cabo “está apta para o HDTV em Junho de 2007”, sendo que a partir o próximo mês de Dezembro “estará no mercado uma caixa alternativa” de descodificação do sinal de televisão analógico para o digital, “cujo fornecedor é a Thompson”. De acordo com as expectativas da PT Multimédia, o mercado português deverá ter 700 mil televisores de alta definição em 2007.

Monday, June 19, 2006

Roughnecks - Starship Troopers



Buuuugs!



Quem sempre venerou a faceta mais bélica de Aliens (James Cameron) pode ter ficado desgostoso por faltar uma certa "caça aos bichos" nos outros filmes da saga. De alguma forma o universo do filme Starship Troopers de Paul Verhoeven pode ser considerado como uma espécie de concretização desse desejo de muita carnificina alienígena e de muitos marines massacrados como se fossem "carne para canhão". Se isto até pode ser um deleite para certos fãs de Aliens, o filme de Verhoeven em si, foi sim bastante criticado pelos adeptos do livro original Starship Troopers de Robert A.Heinlein. Sucede que além de "adulterar" as personagens originais da novela, muita da tecnologia quotidiana como armaduras e robôs de combate foi deixada de fora no filme (ao que se sabe por razões económicas e de produção). Mas haverá na verdade alguma novela que resista a uma adaptação de Hollywood? Poucos, muitos poucos e o filme Starship Troopers não é um deles.



Roughnecks - The Starship Troopers, uma série de animação 3D televisiva aproveitando o franchising está a meio caminho do filme e das novelas. Se por um lado continua a aproveitar os personagens e a história do filme, ao menos consegue ter a "liberdade" produtiva de ir mais longe na materialização do universo de Heinlein. Nesta série já são apresentadas as armaduras mecanizadas, os robots de combates, o abundante uso de armas nucleares, outras raças e muitos outros elementos que o torna mais fiel ao livro. Igualmente os soldados da Infantaria são muito mais resistentes e não morrem tão facilmente como no filme. Pela negativa, e com muita pena, a sempre interessante (e polémica) faceta satírica e política do filme (e crucialmente basilar nos livros) foi removida.


Hey! Já não vi naves parecidas em qualquer lado?

Roughnecks apesar de não deslumbrar e de não ter sido um marco na animação computorizada foi no entanto um ambicioso projecto no género que tenta concorrer num sector onde a animação 3D televisiva sempre foi caracterizada pela hegemonia da produtora Mainframe (Reboot, Transformers BeastWars, Spider-Man). E como tantas produções televisivas foi mais uma das séries que nunca foi realmente completada. Do plano original quatro episódios da parte final da história (estavam previstos 40) nunca foram concluídos. A série foi uma produção problemática ($!) e a sua execução foi até mesmo feita com recurso a diferentes empresas CGI. Para cumprir calendário televisivo foi mesmo remontado material usado criando "novos" episódios.



Após alguma insistência de fãs a Sony/Columbia lançou tímidamente DVD's em separado de quatro campanhas militares dos Roughnecks (5 episódios por campanha/DVD). Ainda lançou um DVD suplementar com o material "inacabado/remontado" e um dos episódios finais. Satisfeita com o sucesso da vendas decidiu depois lançar finalmente (no ano passado) todo o material numa caixa económica mas luxuosa mas comprimida em quatros DVD's (cada um com duas campanhas). Mas como não há bela sem senão sacrificou-se os comentários áudio que anteriormente estavam presentes nos DVD's "avulso" já que não havia espaço para mais.



Em Portugal a série foi exibida já dobrada (na RTP ao que me lembro) e a Lusomundo lançou ao que sei as quatro campanhas DVD's editadas lá fora mas não o DVD suplementar ao que parece. Se a caixa vai ainda ter edição nacional isso já não sei mas pensando no tempo que já passou desde o lançamento original não o creio. É pena e lá se tem recorrer ao "import". Isto para se ter mais de 700 minutos de muito barbecue de "aranha", numa série que agradou aos adeptos de Starship Troopers que sejam gregos ou troianos ou por outras palavras da versão livro ou filme. Recomendado a fãs e a xenófobos intergalácticos...

Classificação

Friday, May 26, 2006

D'zrt @ SIC



O fim do mundo...

Tenho quase a certeza que o mundo vai acabar ás 19.00 de Maio de 2006 (se esta hora já ter passado peço desculpa pela falsa profecia). Porquê? Porque o inesperado vai acontecer. A SIC (generalista) vai transmitir no âmbito do Rock in Rio um concerto dos... D'zrt. Como? E não é que a banda vai entrar em própria "concorrência" consigo mesmo? É que a essa hora como habitualmente Morangos com Açúcar estará no ar na TVI. Muito certo é que as teenagers que não estiverem a ver in loco Zé Milho & Co estarão certamente a fazer zapping para SIC para ver a sua banda favorita. E com isto Francisco Penim vai abrir champagne finalmente algures na Zona VIP do Rock in Rio. Será que finalmente a SIC derrota a TVI num horário que parece imbatível com o seu próprio "trunfo"? Que ironia suprema...

TV via ADSL @ PT





Revolução por ADSL?

Timidamente o Clix disponibilizou a sua solução TV por ADSL2+. Isto seria normalmente uma boa notícia para todos nós já que faz concorrência à quase monopolista TV Cabo fornecendo contéudos televisivos por outro meio. Temos o hábito de praguejar contra monopólio da PT, da TV Cabo, Telepac e Netcabo em Portugal. Mas a concorrência não faz nada por as desafiar, aliás a concorrência limita-se a aliar-se às suas políticas de preços contribuindo para manter os elevados preços que cá se praticam. Isso é o que se constata com os preços e o oferta dos "inovadores" serviços SmarTV do Clix. Se a TV Cabo oferece um pacote "básico" (22,50€) e "premium" (27,50€) o Clix oferece o mesmo por pasme-se 22,50€ e 27,50€! E nem na oferta do número de canais existe quase diferenciação. A TVcabo dá 40 e 65 canais enquanto que o Clix oferece 40 e 68 canais respectivamente. Assim o Clix não se atreve a disputar clientela do mercado adversário que é o cabo porque na verdade não dá motivos e vantagens para os utilizadores da concorrência desertarem. Limitam-se a aproveitar o mercado telefónico em que se inserem e assim é como se existisse um pacto de não agressão.

Mas infelizmente para o Clix técnicamente tem os seus problemas e por isso até devia ser mais competitiva na sua oferta. A transmissão de TV em ADSL/linha telefónica não consegue equivaler-se à de cabo/fibra óptica. Enquanto que por cabo todos os canais estão instantaneamente acessiveis por vários televisores sem afectar a largura de banda da internet já em ADSL não é assim. Cada canal TV por ADSL consome 4MB/s e ora tendo a oferta Clix o máximo (e em condições optímas 16MB cada lar só pode ter 3 a 4 TV's ADSL já que se tem de contar também com a largura suficiente para a internet. Igualmente cada televisor tem de ter a sua box de conversão de sinal o que se torna dispensioso no aluguer de caixas conversoras. Dispendioso e problemático no consumo da largura de banda lá está. Outro aspectos negativo é que a TV por ADSL do Clix tem de usar compressão para caber nos 4MB/s (e infelizmente usa compressão MPEG2 e não MPEG4). Como ponto positivo é a de permitir ao assinante escolher alguns dos canais do pacote total de quase 100 canais que oferece.



Quando chegaremos ao nível de preços e serviços praticados no resto da Europa? Cá um pacote normal TVcabo/Netcabo custa quase 12contos. Um pacote semelhante ADSL com Internet e TV mas com o bónus de oferta telefonica custa o mesmo. No resto de Europa pelos 35€ que um normal cidadão cá paga pela internet seja cabo/ADSL tem um pacote TV com 50 canais, Internet a 20MB (sem limites de consumo) e telefone ilimitado. Esta é por exemplo a oferta da francesa Neuf mas observando outros exemplos vemos que batem claramente a oferta em Portugal. Porque lá fora a real concorrência existe e funciona.

Thursday, May 25, 2006

3D @ RTP





O 3D de volta!

Para quem já andava por cá, 1980 ficou marcado como o ano em que a RTP nos colocou com uns estranhos óculos coloridos à frente da TV só para ver o filme O Monstro da Lagoa Negra na sua versão 3D. Uns acharam piada aos peixinhos a "flutuar" pela sala mas outros sentiram-se defraudados com tanta expectativa criada na altura. Se por algum acaso ainda guardam esses óculos fizeram bem. É qua assim poupam 1€ já que a RTP vai ao longo da próxima semana apresentar vários programas de sua produção usando o mesmo sistema. A técnica, a mesmo usado no clássico filme chama-se Estereoscopia por Anáglifo e permite que imagens e filmes com tratamento prévio possam ser visualizadas com uns simples e baratos óculos em que a lente do olho esquerdo é vermelha e a do lado direito é azul.

Agora ao invés de vermos um monstro a preto branco, a RTP, o Continente (que vende em "exclusivo" os vulgares óculos), a portuguesa 2º Sentido e a americana Dimension3 (que fazem o tratamento 3D dos programas) querem nos dar desta vez caras e programas conhecidos e já a cores. Contra-informação, Top+, magia de Luis de Matos e o concurso Em Família serão alvo desta experiência.

Nesta época o futebol faz lá por fora disparar a compra de televisores panorâmicos de alta definição mas por cá ainda continuamos sem emissões HDTV em nossa casas para ver o esperado campeonato. A TVI ressalve-se vai filmar em alta definição HD dois do jogos do campeonato Sub21 de futebol a nível experimental. Mas sem licença e suporte para emissão HDTV não pode naturalmente fazer mais do que projectar esses jogos em locais públicos. Por isso este velho 3D da RTP acaba por ser uma espécie de tecnologia dos pobres do que ainda se pode ter em casa já que que o progresso televisivo nacional está quase parado.

NOTA: Os óculos usados no cinema com o filme SpyKids 3D (2003) também servem perfeitamente para disfrutar desta Semana 3D da RTP.

Sunday, May 21, 2006

Eládio Clímaco @ EU





O Eurodecano

Para finalizar, um último post sobre a Eurovisão. Tinha dito antes porque não haveria uma banda de heavy metal ganhar e cá está. A banda finlandesa Lordi foram os vencedores do Eurofestival da Canção. Até conseguiram resistir à Rússia que benefeciava do habitual carrossel de votos que os países de Leste promovem entre si. Isto é bom. Significa que o concurso é uma competição aberta que alia a tradição a novas ideias, sonoridades, gostos e realidades.

No entanto se o festival se parece ir adaptando aos tempos que correm, Eládio Clímaco esse é que parece parado no tempo. É uma aberração tão grande como o seu nome. A sua prestação como profissional de locução foi na final tão patética como inacreditável. Interpretando o papel de "velho do Restelo" o decano dos eurofestivais passou o tempo incrédulo a recusar-se a acreditar na retumbante vitória dos Lordi e pouco faltou para difamá-los. Eládio disse que os Lordi venceram somente pelo esforço de envergar aqueles fatos. Que não percebia como tinham vencido em vez da sua favorita enéssima baladinha irlandesa porque não tinham melodia. Eládio vive certamente noutro mundo e nunca reparou no mundo que o rodeia e como os gostos vão mudando. Também não reparou que os votos são por SMS algo que nos jovens está muito mais enraízado do que nas velhas gerações. E depois as gaffes... Foi anedótico ouvir que por a Finlândia ter ganho a próxima emissão será em... Reiquejavique. Penso que até traduziu um comentário de um votante, algo "you look like Will and Grace" para "vocês parecem mesmo gregos". E os seus repetidos "Já não há nada a fazer" e os "não há volta a dar" em cada ronda de votação foram de uma imparcialidade fanática. Foi um péssimo exemplo de falta de ética, cultura e profissionalismo. Sócrates tanto quer que as pessoas se reformem o mais tarde possível mas para Eládio temos de abrir rapidamente uma excepção.

P.S. Uns Moonspell na Eurovisão não teriam tanta piada como os Lordi, mas temos os Blasted Mechanism que em imagem de palco e originalidade do seu rock exótico iriam arrasar. E porque não? Basta a RTP abrir os olhos.

P.S.2 Parece que no ranking já somos o pior país da Eurovisão já que todos países já alcançaram melhores posições do que nossa melhor participação (a canção de Lúcia Moniz relembro). Hurrah! A mediocridade é totalmente nossa!

Friday, May 19, 2006

NonStop @ EU





FullStop

Só queria com este post pedir desculpas pelo que escrevi ontem. Tinha dito que o "pacote" enviado ao Eurofestival pela RTP tinha "pés e cabeça". Ora parece que estava a avaliar a coisa muito ao de leve afinal. Para mim a canção até parecia aceitável e a escolha de um grupo jovem podia trazer uma energia e frescura acrescentada à performance. O que não esperava é que estragassem tudo com tão pouco empenho e imaginação. Num festival em que todos se esmeram por apresentar um visual rico, glamoroso e coreografias arrojadas nem consigo perceber o que se passou pela cabeça dos responsáveis da RTP.

Começando pela coreografia e mise-en-cène foi uma tristeza por ser tão banal. Foi tão mal concebida ou executada que vi mesmo uma das NonStop a tentar recuperar apressadamente a sua posição para a pose final. Quanto à vestimenta, bem, que trapos tão fracos. Um maillot colorido, um corpete, duas ou três plumas e está feito. Pagam a um estilista para isso? Certamente deviam estar à espera que as NonStop encantassem só por si enviado-as semi-vestidas. Mas é que enquanto nós enviamos uma girls-band com ar de teenagers, os outros países enviam jovens e frescas cantoras mas com um ar adulto e carnudo parecendo muitas "Shakiras" e "Britneys" (por outras palavras enviam as clássicas "mulheraças"). Como podem as NonStop na arte de sedução competir nesses atributos?

Mas o pior, o pior de tudo é QUEM FOI A PARVA QUE ENTROU COM O REFRÃO EM FALSO quase logo no ínicio? Para um grupo que supostamente tanto deve ter ensaiado não há nervos que perdoem tal falha. Já passaram uns anos desde o concurso "Popstars" e apesar de quase não terem feito muito desde lá já deviam ter o profissionalismo suficiente.

Também não se compreende que elas tenham parecido cantar quase à "capella" tal ináudivel era a música. Isto, depois dos problema ditos "técnicos" do ano passado começa a ser dejá-vu a mais.

E que tal enviarem para o ano o Zé Cabra ou o Sandro G? Se afinal uma banda heavy-metal e um grupo que quase só gritava "We are the winners of Eurovision!" chegam à final porque não levarmos antes algo com que a Europa se ria (já que não temos Shakiras...)?

Thursday, May 18, 2006

Lordi @ Eurovision





Hard Rock Hallelujah?

Hoje é dia da semi-final do Eurofestival da Canção que decide a presença ou não na final do tema nacional em que relembro somos representados pelas NonStop. Dizem as más línguas que novamente ficaremos pelo caminho já que criticam os fatos de Dino Alves, a música, a coreografia, enfim tudo. Por mim eu até acho que o "pacote" criado pela RTP tem "pés e cabeça", mas no entanto aquele festival tem uns interesses e desígnios muito peculiares. Bem, boa sorte e que os interesses dos lobbies da eurocanção estejam com elas porque até não é delas que quero falar aqui.

Começa a ser habitual apresentar estilos menos convencionais que o Euro-pop no tradicional festival. Estilos como o rap, o etno, o disco, o techno, o electro-pop todos já foram ao longo dos anos tentados no evento. Lembro-me de no ano passado os Noruegueses Wig Wam se terem apresentado com um estilo hard-rock/glam rock com a canção "Rock is the New Schläger". Mas este ano a delegação filandesa tenta algo mais "pesado" ao apresentar um grupo de Heavy Metal, os Lordi. Grupo de sucesso no seu país o grupo distingue-se por uma apresentação cénica em que se disfarçam como monstros gore. Esta sui generis banda nunca dão entrevistas e tal como os míticos Kiss nunca mostram a sua cara. A sua presença no festival é bastante contestada por alguns (sobretudo gregos que são os organizadores) por os consideradarem um grupo "satánico". Não serão certamente anjos mas a canção inserida no ramo a que se dedicam é bem branda, melódica e fica no ouvido. Relembra as clássicas canções hard-rock americanas. No ano passado a Filândia saiu do festival com zero pontos e esta é "vingança" (ou será o desespero?) dos nórdicos. Por tudo isto vai ser divertido ver o festival nem que seja para me rir com esta "afronta" chamada "Hard-Rock Hallelujah" que parece quase contra-natura na Eurovisão. E se até uma transexual já ganhou uma vez porque não uma banda (levemente) Heavy-Metal?



Fica a letra e os links para a canção ser ouvida e vista

Hard Rock Hallelujah!
Hard Rock Hallelujah!

The saints are crippled
On this sinners’ night
Lost are the lambs with no guiding light

The walls come down like thunder
The rocks about to roll
It’s the Arockalypse
Now bare your soul

All we need is lightning
With power and might
Striking down the prophets of false
As the moon is rising
Give us the sign
Now let us rise up in awe

Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
Demons and angels all in one have arrived
Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
In God’s creation supernatural high

The true believers
Thou shall be saved
Brothers and sisters keep strong in the faith
On the day of Rockoning
It’s who dares, wins
You will see the jokers soon’ll be the new kings

All we need is lightning
With power and might
Striking down the prophets of false
As the moon is rising
Give us the sign
Now let us rise up in awe

Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
Demons and angels all in one have arrived
Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
In God’s creation supernatural high

Wings on my back
I got horns on my head
My fangs are sharp
And my eyes are red
Not quite an angel
Or the one that fell
Now choose to join us or go straight to Hell

Hard Rock Hallelujah!
Hard Rock Hallelujah!
Hard Rock Hallelujah!
Hard Rock Hallelujah!

Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
Demons and angels all in one have arrived
Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
In God’s creation supernatural high

Hard Rock Hallelujah!

Site Oficial dos Lordi (com cançao online)
videoclip no YouTube

Wednesday, May 17, 2006

Campo Pequeno @ RTP





Campo Pequeno

Para quem viu na RTP a inauguração do renovado Campo Pequeno percebe que a RTP não se poupou e convocou quase todos os seus nomes sonantes para apresentar o evento. Jorge Gabriel, Merche Romero, Sílvia Alberto, Sónia Aráujo, Júlio Isidro e mais quatro ou cinco apresentadores da casa estavam lá. Um perfeito exagero mediático, tal grande que a RTP dedicou mais de 7 horas em directo nesse dia sobre o "evento". E convém não esquecer do documentário exibido no dia anterior e dos directos em serviços noticiosos ao longo destes dias sobre a praça de touros. E ainda hoje, um dia após a gala de inauguração a estação tem feito directos para acompanhar o primeiro dia em que os consumidores tem mais um centro comercial em Lisboa sempre destacando as maravilhas de tal shopping. Porque afinal o Campo Pequeno é uma empresa com fins comerciais mesmo sendo pertença de instituições como a Câmara Municipal de Lisboa e a Casa Pia. Por tal facto, a RTP devia ter sido moderada e mais isenta na cobertura da reinauguração não esbajando tantos meios e horas de transmissão. Isto não é certamente serviço público.

Também me sinto triste pelo renascimento em Lisboa da tortura e morte de animais para deleite sádico da pouca população que ainda liga a tal "espectáculo". "É a tradição" desculpam-se. "É uma honra o animal ter uma morte tão nobre e dar espéctaculo". As tradições são para ser quebradas quando a crueldade é exagerada e o bom senso de um homem mais racional e digno deve existir nos dias de hoje. Estou certo que quem tanto elogia tal espéctaculo também gostava de levar uns ferros nas costas e ser de seguida enviado para abate somente para deleite de uns quantos touros.

Se o espaço como arena de morte e área comercial a meu ver não merece tanta honra mediática o facto de a renovação ser uma magnífica obra de engenharia já o é. De facto e graças ao IPPAR podemos dizer que a renovação foi acto feliz. Quase tudo foi preservado de acordo com o que já existia e mesmo com a arena original de 1892 (o facto de as cúpulas serem agora azuis é uma delas). Pouca gente imagina o trabalho que realmente ali foi feito (foram precisos sete anos). Aconselho um leitura sobre a obra na Ordem de Enginheiros que descreve em pormenor (com muitas fotos e diagramas) as etapas do projecto. É bom que Lisboa não tenha perdido tal monumento neo-árabe mesmo que carregada de uma tradição sangrenta que tantos convidados aplaudiram ontem.

Saturday, May 13, 2006

Lost @ Web





Perdidos na Rede

Nos EUA parece só faltar dois episódios para o grande final da segunda época de Lost. Entretanto, a ABC passou no seu canal um anúncio fastasma da The Hanso Foundation entidade que gere a (cada vez menos) enigmática The Dharma Initiative com que as personagens de Lost se cruzaram. Os fãs tem agora pistas para tentar desvendar (ou complicar ainda mais) os segredos de Lost. Através da net terão peças do puzzle como sites, mails, vídeos e anúncios para encontrar, juntar e interpretar para que possam chegar aos segredos mais obscuros da série. Para quem não tenha a mínima paciência (como eu) para jogar obsessivamente em tal labirinto pode sempre consultar "The Lost Experience" gerido por dedicado fãs que vão fazendo relatos das suas descobertas. E como se especula que o primeiro a descobrir o "Santo Graal" de Lost ganha um chorudo prémio, boa caçada!

The Hanso Foundation
The Lost Experience

Saturday, May 06, 2006

Música Infantil @ PT





Há produção musical infantil em Portugal?

Assisti por acidente a um Top+ e vi o videoclip "Un Monde Parfait" da francesa Ilona Mitrecey que tem encantado a nossa pequenada. A animação 3D é colorida, alegre e tão cativante como a música. Os franceses bem se podem orgulhar de saber entreter a criançada deles (e a nossa também).

E nós por cá, o que de nacional tem a indústria musical para oferecer aos nossos petizes?

Os D'zrt diriam, que são um mega-sucesso. Antes fosse. De nacional só o facto de quem "canta" e dança (e provavelmente esperemos de quem faz os arranjos) ter nacionalidade portuguesa. Já muitos estão a par que a música e a letra do grande hit "Para Mim Tanto Me Faz" não é nada mais que uma importação. A letra é muito baseada de Que Mas Da dos espanhóis Efecto Mariposa enquanto que a sonoridade é mais inspirida na versão japonesa de Nami Tamaki em High School Queen. Três canções, cantadas em países diferentes que não são mais que variações de uma canção de aluguer (uma espécie de stock art musical) de uma produtora musical estrangeira.

No mercado televisivo a SIC na luta com a TVI relança as novelas portuguesas. Floribella que apresenta a sua própria "banda" brevemente deve lançar um CD. Foram buscar felizmente verdadeiras cantoras (Luciana "Borboleta" Abreu e Raquel Guerra dos Ídolos) e um actor/músico (Rodrigo Saraiva) que mesmo assim sempre é mais "músico" que os modelos/"actores" dos D'zrt. Mas mais uma vez a SIC continua agarrada à "brasileirada" como nas suas restantes novelas. O tema musical/genérico "Pobre dos Ricos" não descola quase nada da versão brasileira (que por sua vez não deve ser muito diferente do original argentino). Novamente as televisões não arriscam nada e preferem fórmulas "prontas-a-usar". Entretanto a TVI "refresca" o seu reportório estando já a preparar o caminho para os sucessores dos D'zrt. Podem ainda ser um sucesso mas o ciclo de vida do produto "D'zrt" já não é tão rentável e o público naturalmente começa a precisar de algo mais fresco.

Tanto se fala de não se aposta nas Rádios e TV na música nacional. Mas talvez mais preocupante é que já nem sequer existe produção musical infantil verdadeiramente nacional. Mas este problema já não é de agora. Ana Faria, Onda Choc e Mini-Stars há bons anos atrás não recorriam a mais que hits internacionais. A raíz do problema já vem daí e no facilitismo e na preguiça de produzir algo realmente novo.

Olha-se para o top nacional para perceber a subsistência do problema nos dias de hoje. Os D'zrt são música encomendada e importada, Ilona Mitrecey é um sucesso francês e o Noddy são adaptações do já feito lá fora. Até as Músicas da Carochinha e Escolinha da Música não são nada mais que os velhos clássicos infantis (pouco) recauchutados mesmo que por ex. neste último acrescente animações feitas em Flash e sejam relançados em DVD como Karaoke. E é isto o pouco que temos para oferecer às gerações vindouras.

Já não há Josés Baratas Mouras, Joeis Brancos e Marias Armandas que façam música portuguesa para as camadas mais jovens. Até mesmo as aparições de Carlos Vidal como Avô Cantigas já são escassas e sente-se provavelmente impotente competir com fenómenos marketing como D'zrt. É que as crianças de antigamente culturalmente já não são bem como as de agora. Isso e a produção musical infantil nacional está claro...

Thursday, May 04, 2006

The Like Young @ Injustiçados





Injustiçados (1) - The Like Young

Inauguro mais um arco de crónicas. Nesta temática falo de casos que mereciam o sucesso e as luzes da ribalta confrontando-os com outros exemplos do género que já conquistaram o seu lugar ao sol.

Jack e Meg. Joe e Amanda. Ambos são duos "homem na guitarra e rapariga na bateria". Mas as semelhanças ficam talvez por aí.

Jack e Meg. Certamente já perceberam que me refiro aos White Stripes. Duo de irmãos, amigos, ex-namorados ou sabe-se lá o quê. Ele desejado por muitas e considerado um sex-symbol. Ela parecendo ter "carne" suficiente para aguentar a pedalada num "bombo". Vivem na alta roda musical internacional, saltitando de hóteis para concertos, talk-shows e festas. O star-system já é o mundo deles.

Joe e Amanda. Provavelmente ainda poucos ouviram falar dos The Like Young. Casal pacato. Ele não tendo propriamente a beleza para ser um sex-symbol, ela aparentando uma fragilidade e a delicadeza de quem nunca conseguiria tocar bateria. Vivem na pacatez de Illenois e da música ainda não conseguem sobreviver. O espírito "indie" está-lhes certamente nos ossos.

Confesso. Não sou grande adepto de rock'n roll, do rock-pop e dos instrumentos que menos aprecio é mesmo a guitarra eléctica. Apesar de tudo é difícil não gostar de certas músicas dos White Stripes. Mas não é amor que me leve a ler as críticas e entrevistas, comprar os albums, desejar ir aos concertos.



Quando oiço The Like Young fico enfeitiçado pela sonoridade do casal Ziemba. Músicas breves, cingindo-se à essência de uma sonoridade lo-fi quase rude, sem muitos artíficios (poucas vezes com o uso de uns teclados) mas com uma leveza pop-indie desconcertante. Joe ataca com os seus riffs e a sua voz zangada enquanto que Amanda mesmo com as suas fortes percussões consegue ainda adocicar as músicas com os seus coros, completando-se assim os dois numa perfeita e saudável harmonia.

É díficil não sentir uma simpatia por este casal quando se vê os telediscos e se ouve as músicas. Espero que esta simpática banda chegue mais longe. Estando já no terceiro (mini)-álbum ainda vivem quase no anonimato. É difícil saber o que se passa na casa dos Ziemba mas ouvindo os seus trabalhos quase que pensamos que tudo devem ser rosas no lar deles, até mesmo quando discutem. Ou então a simbíotica música deles engana muito bem...

Site Oficial | http://www.thelikeyoung.com/
MySpace | http://www.myspace.com/thelikeyoung/

Videoclips

For Money Or Love | QuickTime MPEG-4 (14 MB) | Windows Media WMV (21 MB)
Sabine & Me| QuickTime MPEG-4 (11.9 MB) | Windows
Media WMV (21 MB)

Out To Get Me | Quicktime MPEG-4 (8.3 MB) | Windows Media WMV (14.9 MB)
Snobs And Slobs | Quicktime MPEG-4 (17.5 MB) | Windows Media WMV (28 MB)

MP3's

For Money Or Love | Dead Eyes | Worry A Lot | Tighten My Tie | Even If It's Getting Late | Looked Up | Bad Excuse | You Can't Get It Back | I Love How You Love Me | I'm In Love

Wednesday, May 03, 2006

Martataka @ Matosinhos





Martataka já tem parque infantil!

Elogiei uma vez aqui o "defunto" programa infantil Martataka e a riqueza do seu imaginário. Fui alertado no referido post que agora em Matosinhos existe agora a "materilização" do mesmo mundo como parque infantil. Que bela ideia. Tenho pena de não conseguir saber muito mais informações concretas. O site oficial está em reconstrução e o pouco que obti foi no KII + Pequenos incluindo a imagem do anterior desactivado site.

Segundo o referido site encontram-se lá as seguites estruturas:

Vulcão escalável, cactos insufláveis , canhões de bolas de esponja muitos saltos e trambolhões, também há de animações com musica sob a batuta dos animadores do Martataka, karaoke organisaçao de aniversarios e sempre pizza, gelados, refrigerantes e bolos

Rua Brito Capelo, 119 Matosinhos
horarios 3ª a 5ª das 10h30 ás 12h30 e das 15 h ás 19h30
6ª e sabado das 10h30 as 23h30
domingos e friados das 10h30 ás 19h30
tel: 22 938 9191

Se alguém souber algo se o referido parque está em funcionamento ou não, ou outras informações por favor deixe um post.

Sunday, February 05, 2006

We Love You Bill



We Love You Bill

Judite de Sousa envergonhou-nos a todos. Aos portugueses e sobretudo a restante classe profissional. A jornalista tinha ao seu dispôr meia hora com Bill Gates. Um fabuloso furo que qualquer repórter gostava de ter. No entanto esbanjou a sua oportunidade numa entrevista inócua e enfadonha portando-se pior que uma estagiária e falando um inglês terrivelmente medíocre. Não houve uma única pergunta que fizesse Bill Gates pensar, a não ser quando este tinha de fazer esforço para perceber o inglês dela. Não houve perguntas concretas, apenas perguntas genéricas, leves, inconsequentes. Não fez perguntas para perceber como ele vê Portugal, porque o escolheu para tantos acordos e quais acha que são os pontos positivos do país,
se temos potencialidades que o seduzam. Não fez perguntas economicas e estratégicas sobre possíveis conselhos para empresários portugueses. Não confrontou Bill Gates sobre a conturbada relação da Microsoft e a Comunidade Europeia. Nem sobre os tantos falhanços e incapacidade da Microsoft em impôr-se na área da Internet. Nem sobre a concorrência do software livre, os novos caminhos multimédia, o comércio on-line ou sobre os projectos anunciados que tem para combater o iTunes. Nem pediu um comentário sobre o facto de Apple se ter aliado ao seu parceiro de sempre, a Intel. Aliás Judite não fez uma única pergunta que pudesse embaraçar levemente Gates. Por tal, não houve perguntas do qual se extraisse algo de verdadeiramente palpável e de algum valor. Até mesmo sobre a sua vida pessoal. Não seria outra pessoa da RTP capaz de fazer melhor?

Paradoxalmente penso que não. Poderia ter sido qualquer um a fazer esta entrevista. Temos de considerar que esta atitude de passividade da RTP foi deliberada e mesmo acordada. Não me admira se as perguntas tenham sido aprovadas, tal como a Administração Bush faz até quando visita uma escola. Temos de pensar em Judite como um simples peão nos interesses de Bill Gates, da Microsoft e do Estado Português. A RTP concedeu um tempo alargado de divulgação nos últimos dias a assuntos "Microsoft". Aliás a imprensa em geral empolgou-se com Gates. Eram notícias sobre as aulas de formação para desempregados têxteis, sobre a visita de Gates, a sua maravilhosa casa e os múltiplos acordos com o governo local. Até parecia que Bill era o Messias que vinha salvar Portugal e de fazer avançar com o "maravilhoso" plano técnológico de Sócrates.

E tudo foram rosas para tio Bill na mole entrevista. Bill Gates teve tempo e condições para passar uma imagem positiva, calma, optimista do seu trabalho humanitário, da visão de futuro que a Microsoft diz ter e o desejo de como quer ajudar a desenvolver toda a gente. A Microsoft usou Portugal como cavalo de Tróia para começar a melhorar a sua complicada posição na Europa com inúmeras multas, acusações e investigações. Judite, a RTP e Sócrates beijaram-lhe os pés e estenderam-lhe a passadeira vermelha. Só mesmo em Portugal se lambe-cús tão descaradamente.

Thursday, February 02, 2006

Triângulo J





Triângulo J

Henrique Oliveira é daqueles nomes que aparentemente nos parece familiar mas não nos diz nada à primeira vista. Mas se eu disser que foi o guitarrista dos míticos Taxi já esboçamos um sorriso. Não porque nos lembramos exactamente de quem é mas pelas boas memórias que temos da banda. No entanto, acho que é mais importante e justo fazer-lhe o elogio não pela sua faceta musical, mas pela posterior carreira como produtor audio-visual onde eleva a fasquia da qualidade televisiva em Portugal.

A produtora Miragem na qual Henrique Oliveira foi uma peça pilar marcou o panorama televisivo nacional com séries como Claxon e Major Alvega. Sendo séries muito cuidadas em termos de estética, Major Alvega (com Ricardo Carriço) torna-se um case-study pela forma como funde imagens reais e a banda desenhada. Foi mesmo exportada para o mercado internacional e nomeada para um Emmy. A esta série está também curiosamente ligada ao talento de Rui Ricardo, famoso cartonista da Art Vortex (com Esgar Acelerado) e responsáveis pela Superfuzz, publicada semanalmente no Blitz.

Já com Hop!, a nova encarnação da extinta Miragem, Henrique Oliveira produz principalmente programas infantis como Batatoon e MartAtaka (do qual já tinha falado aqui). Agora é igualmente no campo juvenil que a Hop! dá novas cartas. Triângulo Jota baseado nos livros de aventuras juvenis de Álvaro Magalhães é uma nova aposta da RTP. E é uma cartada tecnologicamente forte. Pela primeira vez se filma uma série em Alta Definição em Portugal. A RTP consciente do investimento não emite somente a série nas manhãs infantis mas por enquanto exibe-a também pouco antes do Telejornal de Domingo.

Triângulo Jota demarca-se assim da concorrência, Uma Aventura da Sic e O Clube das Chaves da TVI. Com uma produção muito cuidada, pormenores como o genérico, cenários e iluminação são muito bons para o que se faz normalmente cá nesta categoria de programas. Pelo primeiro episódio, o jovem elenco principal está à altura na interpretação, algo que nas séries concorrentes muitas vezes falha. Os nomes de famosos actores que vão fazer uma perninha como convidados também é de elogiar (Nicolau Breyner, António Cordeiro, Paulo Pires, Adelaide Sousa, Rui Unas). Mas nem tudo parece ter resultado muito por culpa da especificidade deste episódio onde recorre a dobragens e a um casting um tanto erróneo para personagens orientais. Por certo neste aspecto a série há-de melhorar.

Esperam-nos mais doze episódios (um já foi emitido) de 50 minutos cada. Pela boa aposta desejo que esta série tenha sucesso para que a produção juvenil por cá melhore. Triângulo J torna-se agora o alvo a abater pela concorrência. É bom ver a RTP a fazer ficção nacional e sobretudo infantil. Entreter bem os "pequenos" também é serviço público...

Classificação

Wednesday, January 25, 2006

Nostalgia AM - pt.2



Nostalgias AM - pt.2

Ironia das ironias, a recriação da Febre de Sábado à Noite de que falei no post anterior vai ser transmitida em directo pela RTP. Se já era estranho que apesar de ser igualmente realizada num sábado não o seria de manhã mas sim à noite, mais bizarro se torna quando se sabe que é emitida apenas na TV. É que as rádios vão estar ocupadas tarde e noite com o grande derby futebolístico e por tal alhearam-se completamente a um marco da história da própria rádio, sangue do seu sangue. E quando a própria rádio ignora os seus próprios mitos é caso para dizer que "TV saved the radio star".

Também tinha falado da minha devoção infantil-juvenil pelos Parodiantes de Lisboa. Após a minha evocação poucos dias depois o último dos irmãos Andrade vivo, Ruy Andrade faleceu. A minha homenagens a um homem que era dos mais antigos produtores de rádio em Portugal e que marcou indiscutívelmente o humor radialista.

Que diabo, a saudosa rádio está mesmo a perecer...

Thursday, January 12, 2006

Guerras Multimedia





As guerras Multimedia

Finalizado o CES 2006 - International Consumer Electronics Show e pelas notícias que vão surgindo os próximos tempos vão ser confusos quanto a tecnologia e plataformas multimedia.

A começar pelo sucessor do DVD a procura de um formato único parece irremediavelmente perdida. Produtoras cinematográficas como a FOX e Sony planeiam já uma primeira vaga de 40 filmes para o formato BluRay. Por outro lado a Paramount Pictures, a Universal Studios, a HBO Video e a New Line Entertainment vão lançar quase 200 títulos para o HD-DVD até ao fim de 2006 e uns 50 como primeira aposta até Maio. A Warner é que prefere jogar pelo seguro não descriminando os utilizadores e aposta nos dois formatos.

Quanto a leitores tudo muito confuso nos lançamentos. Em Março os primeiros modelos HD-DVD para consumo devem estar disponíveis por parte da Toshiba. Quanto a lancamentos de leitores de BlueRay para sala só mesmo após a Primavera, apesar de já haver algumas experiências comerciais no Japão. Quanto a preços estima-se que os leitores HD-DVD sejam pelo menos metade (500 dólares) do que custam os BlueRay. No campo informático a Microsoft aliou-se ao HD-DVD e as drives para PC não devem também tardar até porque a Pionner diz que no final de Janeiro já terá drives BluRay para PC's, isto se os problemas com o seu sistema copyright não complicarem. A Apple preferiu apoiar o BluRay. Já a HP que preferia endorsar os dois formatos acabou por desistir do BluRay após certas sugestões que tinha para o formato serem recusadas. Nas consolas a tão esperada Sony Playstation 3 irá naturalmente usar o BluRay podendo ser um enorme trunfo para promover o formato mas até nisso não se sabe se haverá alguma limitação para ler filmes já que uma PS3 a metade do preço dos leitores BluRay de mesa poderia abalar a venda destes últimos.
ADENDA 1: A Xbox360 da Microsoft vai disponibilizar um leitor externo HD-DVD.
ADENDA 2: Parece afinal vai sair um leitor BluRay coincidente com o lançamento do 1º leitor da HD-DVD.

É difícil adivinhar um vencedor nesta renhida guerra onde até a questão do nome e logo pode ser decisivo. O nome HD-DVD é uma feliz escolha já que a sigla DVD é familiar e HD começa a ser veiculado com as vendas de novos televisores "HD Ready". O nome BluRay é algo que vai dificilmente ainda vai ser assimilado pelas massas.

Entretanto em relação a centros digitais de entretenimento para o lar a Intel e a AOL anunciaram um acordo de colaboração para o desenvolvimento da plataforma multimedia da Intel designada por ViiV.

Já no comércio online musical a HP desistiu da aliança com a Apple deixando de integrar nos seus PC's o iTunes, líder incontestado nesta área, em favor do RealNetworks Rapsodhy. Igualmente deixa de lado a venda de uma versão especial do iPod.

E quanto á venda de contéudos TV online para depois serem vistos num iPod, num PC ou outro aparelho portátil começam-se a notar insatisfações seja pelos limites de tempo para ter os programas ou incompatibilidades em ver num ou outro leitor multimedia portatil. Um interessante artigo pode ser lido aqui.

E agora já nestes dias de Janeiro vem aí as novidades do MacWorld Expo quanto aos primeiros Mac com coração Intel e igualmente se adivinham novidades em relação ao multimedia por parte da Apple. Como se vê estes tempos anda tudo muito volátil, confuso e incerto.

NOTA Apesar de ter a data de dia 12 este post é de uns 2 dias atrás porque por engano apaguei este post. Felizmente tinha ainda o texto original em txt.