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Friday, July 14, 2006

Portugal @ Xbox World Cup




foto: fifaportugal.com

Afinal a taça é nossa!

Enfim, por muito que queira não consigo me afastar dos posts que tem a ver com futebol. Na Xbox World Cup disputada em Berlim (num verdadeiro estádio), uma dupla portuguesa fez o que a selecção nacional não conseguiu, ou seja trouxe a taça do Campeonato do Mundo de Futebol cá para o burgo. Pena é que tenha sido a jogar numa consola Xbox o Fifa 06. Mas há muito mérito nisso. Defrontaram outras fortes 31 equipas mundiais e ganharam tudo o que podiam ganhar. Na final defrontaram o México (e afinal a profecia de uma final México - Portugal num episódio dos Simpsons era real!) e lá ergueram a taça. Quem não ganha com Cristiano Ronaldo e Figo ganha com um Miguel Dinis e um António Gomes. Parabéns aos dois.

PS - Dia 14 a SIC Radical irá dar um (breve) reportagem no programa Megafone sobre a final.

Sunday, June 25, 2006

Creative Zen V Plus



Querida, encolhi o...



Esfregamos os olhos mas não acreditamos. 44g... 4,4 de largura e 6,7 cm de altura! A Creative encaixou no novo modelo ZEN V PLUS todas as qualidades dos anteriores modelos mas agora com metade do peso e tamanho. Leitor MP3, rádio FM, gravador tanto com microfone como de fonte externa, 15 horas de leitura, visualização de fotos e vídeos, agenda pessoal, ecrã "rotativo", suporte para múltiplas lojas online. Está lá tudo e dependendo do modelo temos 1,2 ou 4 GB! E a Creative ainda goza com a Apple anunciando que que tem ecrã resistente aos riscos. E até no design, algo que os iPods parecem imbatíveis este Zen não fica muito atrás. Linhas curvas nos cantos para que deslize melhor no bolso, simples, minimal até nos controlos.



Apesar de parecer um produto arrasador, creio que irá provavelmente ficar bem atrás dos iPods em vendas, porque não acredito muito em ipod killers, tal a fama e prestígio que a Apple já conquistou. É um bocado a hístoria da Sony e do seu Walkman, muitos modelos doutras marcas eram claramente melhores mas nunca ninguém roubou o estatuto de nº1 da Sony. Este Creative é certamente uma maravilha técnica e novamente a Apple terá de se esforçar para fazer algo igual. Mas terá mesmo a Apple que se preocupar? Um iPod é um iPod, todos querem um, mesmo que seja um falível, problemático, caro (para o que faz ou seja quase nada) Shuffle...

PS Espero é que a Creative desta vez (os phones da imagem não são finais) se esmere em fazer uns auscultadores bonitos, porque já deviam ter percebido que são um símbolo de distinção e tem de ser necessariamente sedutores de usar.

Friday, May 26, 2006

TV via ADSL @ PT





Revolução por ADSL?

Timidamente o Clix disponibilizou a sua solução TV por ADSL2+. Isto seria normalmente uma boa notícia para todos nós já que faz concorrência à quase monopolista TV Cabo fornecendo contéudos televisivos por outro meio. Temos o hábito de praguejar contra monopólio da PT, da TV Cabo, Telepac e Netcabo em Portugal. Mas a concorrência não faz nada por as desafiar, aliás a concorrência limita-se a aliar-se às suas políticas de preços contribuindo para manter os elevados preços que cá se praticam. Isso é o que se constata com os preços e o oferta dos "inovadores" serviços SmarTV do Clix. Se a TV Cabo oferece um pacote "básico" (22,50€) e "premium" (27,50€) o Clix oferece o mesmo por pasme-se 22,50€ e 27,50€! E nem na oferta do número de canais existe quase diferenciação. A TVcabo dá 40 e 65 canais enquanto que o Clix oferece 40 e 68 canais respectivamente. Assim o Clix não se atreve a disputar clientela do mercado adversário que é o cabo porque na verdade não dá motivos e vantagens para os utilizadores da concorrência desertarem. Limitam-se a aproveitar o mercado telefónico em que se inserem e assim é como se existisse um pacto de não agressão.

Mas infelizmente para o Clix técnicamente tem os seus problemas e por isso até devia ser mais competitiva na sua oferta. A transmissão de TV em ADSL/linha telefónica não consegue equivaler-se à de cabo/fibra óptica. Enquanto que por cabo todos os canais estão instantaneamente acessiveis por vários televisores sem afectar a largura de banda da internet já em ADSL não é assim. Cada canal TV por ADSL consome 4MB/s e ora tendo a oferta Clix o máximo (e em condições optímas 16MB cada lar só pode ter 3 a 4 TV's ADSL já que se tem de contar também com a largura suficiente para a internet. Igualmente cada televisor tem de ter a sua box de conversão de sinal o que se torna dispensioso no aluguer de caixas conversoras. Dispendioso e problemático no consumo da largura de banda lá está. Outro aspectos negativo é que a TV por ADSL do Clix tem de usar compressão para caber nos 4MB/s (e infelizmente usa compressão MPEG2 e não MPEG4). Como ponto positivo é a de permitir ao assinante escolher alguns dos canais do pacote total de quase 100 canais que oferece.



Quando chegaremos ao nível de preços e serviços praticados no resto da Europa? Cá um pacote normal TVcabo/Netcabo custa quase 12contos. Um pacote semelhante ADSL com Internet e TV mas com o bónus de oferta telefonica custa o mesmo. No resto de Europa pelos 35€ que um normal cidadão cá paga pela internet seja cabo/ADSL tem um pacote TV com 50 canais, Internet a 20MB (sem limites de consumo) e telefone ilimitado. Esta é por exemplo a oferta da francesa Neuf mas observando outros exemplos vemos que batem claramente a oferta em Portugal. Porque lá fora a real concorrência existe e funciona.

Saturday, May 13, 2006

Lost @ Web





Perdidos na Rede

Nos EUA parece só faltar dois episódios para o grande final da segunda época de Lost. Entretanto, a ABC passou no seu canal um anúncio fastasma da The Hanso Foundation entidade que gere a (cada vez menos) enigmática The Dharma Initiative com que as personagens de Lost se cruzaram. Os fãs tem agora pistas para tentar desvendar (ou complicar ainda mais) os segredos de Lost. Através da net terão peças do puzzle como sites, mails, vídeos e anúncios para encontrar, juntar e interpretar para que possam chegar aos segredos mais obscuros da série. Para quem não tenha a mínima paciência (como eu) para jogar obsessivamente em tal labirinto pode sempre consultar "The Lost Experience" gerido por dedicado fãs que vão fazendo relatos das suas descobertas. E como se especula que o primeiro a descobrir o "Santo Graal" de Lost ganha um chorudo prémio, boa caçada!

The Hanso Foundation
The Lost Experience

Tuesday, May 09, 2006

Sony PS3 @ E3





Sony PS3@E3

Acabei de ver no noticiário da TV imagens da apresentação da nova Sony Playstation 3 apresentada no grande evento anual do multimedia de consumo, a E3 em Los Angeles.

Fiquei naturalmente impressionado com as imagens de alguns jogos e sobretudo com a supresa de também o gamepad da PS3 ser sensível ao movimento. Gostei de ver um jogo que lembrava o clássico Afterburner (chamado Warhawk3 parece) em que o avião era controlado somente movendo no ar o controlo. Isto faz que não fique atrás da igual vindoura Nintendo Revolution (agora chamada de Wii!) em termos de controlo. E claro, como previa, afinal a Sony abandonou o mal-amado protótipo de gamepad boomerang substituindo-o por um que segue a linha da anterior PS2.

Naturalmente a Sony anunciou a PS3 como algo de outro mundo. Wi-Fi, disco rígido, HDTV em resolução 1080 e mais de 30GB por disco graças ao BluRay mas descendo à terra nem tudo é assim tão divinal. Primeiro é que nem toda a gente ficou assim tão impressionada com a qualidade dos jogos/demos.

Segundo, técnicamente não há ali nada de novo além do BluRay. Alta Definição já a Xbox360 tinha, a novidade sobre o controlo também a Wii já o tinha anunciado e mesmo ter anunciado emulação de jogos PS1 para a PSP é uma medida para competir com a emulação da Nintendo Wii. Sendo a PS2/PS3 retrocompatível a notícia é um tanto irrelevante já que normalmente quem tem uma PSP também tem ou terá uma PS1/PS2/PS3.

Pior é quando é quando se analiza o preço e especificações dos pacotes iniciais da PS3 e a para a Sony a coisa complica-se.

Isto eu já o esperava, que graças provavelmente à dispendiosa e nova tecnologia BluRay a PS3 seria cara, excessivamente cara. A PS3 mais barata vai custar 499€ com um disco de 20GB. Pior, 499€ por uma versão "lite" da PS3 sem WiFi, leitor de cartão de memória e sem HDMI que lhe permita ver por ex. filmes com excelente qualidade digital (mas sim via saída analógica). Para ter uma versão normal pague-se 600€ mas já com 60GB. É um presente envenenado o que oferece a Sony para que não estrague as vendas dos já caros leitores BlueRay que vão aí surgir.

Agora que a Sony jogou por agora os seus trunfos a Microsoft e Nintendo vão fazer as suas jogadas. Quanto à Nintendo no momento que escrevo este post deve estar a fazer a sua apresentação. Quanto à Xbox360 já espantou a anunciar uma drive HD-DVD via imagine-se USB (conseguirá aguentar tanta transferência de dados por segundo?). Mas concerteza até ao fim do ano já terá a XBOX360 a metade do preço duma PS3 "Lite" e muitos muito jogos com uma maturidade que aproveita bem as potencialidades da consola. E quanto a um controlo "sensível ao movimento" decerto ainda lança um antes da PS3 e da Revolution.

Posso estar errado mas creio que a PS3 não será um sucesso como o foi a PS2 a não ser que muita gente receba em Dezembro um 13ºmês (bem) chorudo. A culpa será evidentemente do BluRay.

Para acompanhar os eventos sugiro a Engadget com live blogging do evento. Ver sobretudo aqui e aqui os posts sobre a PS3

Sunday, February 05, 2006

We Love You Bill



We Love You Bill

Judite de Sousa envergonhou-nos a todos. Aos portugueses e sobretudo a restante classe profissional. A jornalista tinha ao seu dispôr meia hora com Bill Gates. Um fabuloso furo que qualquer repórter gostava de ter. No entanto esbanjou a sua oportunidade numa entrevista inócua e enfadonha portando-se pior que uma estagiária e falando um inglês terrivelmente medíocre. Não houve uma única pergunta que fizesse Bill Gates pensar, a não ser quando este tinha de fazer esforço para perceber o inglês dela. Não houve perguntas concretas, apenas perguntas genéricas, leves, inconsequentes. Não fez perguntas para perceber como ele vê Portugal, porque o escolheu para tantos acordos e quais acha que são os pontos positivos do país,
se temos potencialidades que o seduzam. Não fez perguntas economicas e estratégicas sobre possíveis conselhos para empresários portugueses. Não confrontou Bill Gates sobre a conturbada relação da Microsoft e a Comunidade Europeia. Nem sobre os tantos falhanços e incapacidade da Microsoft em impôr-se na área da Internet. Nem sobre a concorrência do software livre, os novos caminhos multimédia, o comércio on-line ou sobre os projectos anunciados que tem para combater o iTunes. Nem pediu um comentário sobre o facto de Apple se ter aliado ao seu parceiro de sempre, a Intel. Aliás Judite não fez uma única pergunta que pudesse embaraçar levemente Gates. Por tal, não houve perguntas do qual se extraisse algo de verdadeiramente palpável e de algum valor. Até mesmo sobre a sua vida pessoal. Não seria outra pessoa da RTP capaz de fazer melhor?

Paradoxalmente penso que não. Poderia ter sido qualquer um a fazer esta entrevista. Temos de considerar que esta atitude de passividade da RTP foi deliberada e mesmo acordada. Não me admira se as perguntas tenham sido aprovadas, tal como a Administração Bush faz até quando visita uma escola. Temos de pensar em Judite como um simples peão nos interesses de Bill Gates, da Microsoft e do Estado Português. A RTP concedeu um tempo alargado de divulgação nos últimos dias a assuntos "Microsoft". Aliás a imprensa em geral empolgou-se com Gates. Eram notícias sobre as aulas de formação para desempregados têxteis, sobre a visita de Gates, a sua maravilhosa casa e os múltiplos acordos com o governo local. Até parecia que Bill era o Messias que vinha salvar Portugal e de fazer avançar com o "maravilhoso" plano técnológico de Sócrates.

E tudo foram rosas para tio Bill na mole entrevista. Bill Gates teve tempo e condições para passar uma imagem positiva, calma, optimista do seu trabalho humanitário, da visão de futuro que a Microsoft diz ter e o desejo de como quer ajudar a desenvolver toda a gente. A Microsoft usou Portugal como cavalo de Tróia para começar a melhorar a sua complicada posição na Europa com inúmeras multas, acusações e investigações. Judite, a RTP e Sócrates beijaram-lhe os pés e estenderam-lhe a passadeira vermelha. Só mesmo em Portugal se lambe-cús tão descaradamente.

Thursday, January 12, 2006

Guerras Multimedia





As guerras Multimedia

Finalizado o CES 2006 - International Consumer Electronics Show e pelas notícias que vão surgindo os próximos tempos vão ser confusos quanto a tecnologia e plataformas multimedia.

A começar pelo sucessor do DVD a procura de um formato único parece irremediavelmente perdida. Produtoras cinematográficas como a FOX e Sony planeiam já uma primeira vaga de 40 filmes para o formato BluRay. Por outro lado a Paramount Pictures, a Universal Studios, a HBO Video e a New Line Entertainment vão lançar quase 200 títulos para o HD-DVD até ao fim de 2006 e uns 50 como primeira aposta até Maio. A Warner é que prefere jogar pelo seguro não descriminando os utilizadores e aposta nos dois formatos.

Quanto a leitores tudo muito confuso nos lançamentos. Em Março os primeiros modelos HD-DVD para consumo devem estar disponíveis por parte da Toshiba. Quanto a lancamentos de leitores de BlueRay para sala só mesmo após a Primavera, apesar de já haver algumas experiências comerciais no Japão. Quanto a preços estima-se que os leitores HD-DVD sejam pelo menos metade (500 dólares) do que custam os BlueRay. No campo informático a Microsoft aliou-se ao HD-DVD e as drives para PC não devem também tardar até porque a Pionner diz que no final de Janeiro já terá drives BluRay para PC's, isto se os problemas com o seu sistema copyright não complicarem. A Apple preferiu apoiar o BluRay. Já a HP que preferia endorsar os dois formatos acabou por desistir do BluRay após certas sugestões que tinha para o formato serem recusadas. Nas consolas a tão esperada Sony Playstation 3 irá naturalmente usar o BluRay podendo ser um enorme trunfo para promover o formato mas até nisso não se sabe se haverá alguma limitação para ler filmes já que uma PS3 a metade do preço dos leitores BluRay de mesa poderia abalar a venda destes últimos.
ADENDA 1: A Xbox360 da Microsoft vai disponibilizar um leitor externo HD-DVD.
ADENDA 2: Parece afinal vai sair um leitor BluRay coincidente com o lançamento do 1º leitor da HD-DVD.

É difícil adivinhar um vencedor nesta renhida guerra onde até a questão do nome e logo pode ser decisivo. O nome HD-DVD é uma feliz escolha já que a sigla DVD é familiar e HD começa a ser veiculado com as vendas de novos televisores "HD Ready". O nome BluRay é algo que vai dificilmente ainda vai ser assimilado pelas massas.

Entretanto em relação a centros digitais de entretenimento para o lar a Intel e a AOL anunciaram um acordo de colaboração para o desenvolvimento da plataforma multimedia da Intel designada por ViiV.

Já no comércio online musical a HP desistiu da aliança com a Apple deixando de integrar nos seus PC's o iTunes, líder incontestado nesta área, em favor do RealNetworks Rapsodhy. Igualmente deixa de lado a venda de uma versão especial do iPod.

E quanto á venda de contéudos TV online para depois serem vistos num iPod, num PC ou outro aparelho portátil começam-se a notar insatisfações seja pelos limites de tempo para ter os programas ou incompatibilidades em ver num ou outro leitor multimedia portatil. Um interessante artigo pode ser lido aqui.

E agora já nestes dias de Janeiro vem aí as novidades do MacWorld Expo quanto aos primeiros Mac com coração Intel e igualmente se adivinham novidades em relação ao multimedia por parte da Apple. Como se vê estes tempos anda tudo muito volátil, confuso e incerto.

NOTA Apesar de ter a data de dia 12 este post é de uns 2 dias atrás porque por engano apaguei este post. Felizmente tinha ainda o texto original em txt.

Monday, January 09, 2006

Jogos HDTV@PT





Jogos HDTV@PT

Com consolas como a Xbox360 ou a PS3 (que ainda espera lançamento) há a possibilidade de jogar em Alta Definição e formato panorâmico aproveitando as tv's 16:9 que vão lentamente entrando nos nossos lares. Muitos portugueses podem estar a pensar que ao jogar panorâmicamente com a sua Xbox360 no seu televisor 16:9 estão a fazer algo novo e inovador. A verdade é que se enganam redondamente porque em Portugal há 12 anos atrás se tinha jogado em televisões HDTV um jogo especialmente concebido para o efeito.

1994, Centro Cultural de Belém. Viviam-se os dias áureos de Lisboa'94 - Capital Europeia da Cultura. Um ano repleto de abundantes iniciativas culturais. Numa delas a poderosa indústria japonesa vem nos sensibilizar para os potenciais do HDTV, a Alta Definição que algum sucesso estava a ter no país nipónico.



Numa sala do então polémico CCB no âmbito da exposição "Múltiplas Dimensões" documentários passam ininterruptamente sobre a cultura japonesa e museus franceses em formato HDTV. E no meio desta oferta cultural há algo mais interessante e histórico do que a possibilidade de ver TV panorâmica. Era o primeiro jogo concebido para Alta Definição chamado Hi-Ten Bomber Man. Tecnicamente era baseado em 2 consolas Nec PC Engine/Turbografx, 10 comandos (5 por consola) e um PC para fazer output de sinal HDTV. Isto permitia jogar o popular Bomberman aceitando até 10 pessoas. Nessa altura o jogo era somente um protótipo produzido pela HudsonSoft e nunca foi publicado para PC Engine por limitações técnicas tendo se ficado por exibições públicas. Ganhou aliás o prémio High Vision Awards 93 facto que o permitiu trazer sob signo do High Vision Promotion Center a Portugal. Para muita pena minha quando visitei essa exposição não foi na hora em que o jogo era promovido.



Uma versão do jogo, o Saturn Bomberman foi depois lançada para a Sega Saturn onde igualmente se podia jogar em widescreen (mas não verdadeiramente em Alta Definição) quando na presença de mais de 8 ou mais jogadores. Esta consola teve igualmente alguns títulos com opção widescreen como o fabuloso Nights já que o apetite pelo formato 16:9 era emergente tendo as companhias feito várias apostas nesta perspectiva. Consolas como a Sega Dreamcast também apresentaram alguns jogos com opções widescreen. Mas widescreen não é sinónimo de Alta Definição e só mesmo depois com a Xbox e a PS3 se pode efectivamente ter poder gráfico em nossas casas para alimentar um ecrã 16:9 com altíssima resolução.

É pena é que se tenha esperado tanto tempo para se poder realmente jogar em alta definição. Mas na verdade muitos poucos em Portugal teriam uma TV widescreen para jogar tais jogos já que somente com a sedução do DVD e do Cinema em Casa se despertou o interesse por tais televisores. Fica a curiosidade deste inovador jogo ter passado em Portugal. Apresento scans do folheto promocional de tal mostra.

Sunday, January 08, 2006

Flops #1 - CD-i





Grandes Flops Multimedia #1 - CD-i

Inauguro aqui um ciclo dedicado a "flops" (falhanços) no multimedia de consumo.

Corria o ano de 1994 ou 1995, andava eu na ESCS e numa aula que penso de Marketing recebemos a visita do Eng. Pedro Reuter, então Director de Media da Philips portuguesa. Vinha esclarecer-nos sobre as benesses do CD-i vulgo CD Interactivo, formato inventado pela Philips.

Muita pouca gente se lembra hoje do CD-i. Era uma simples caixa do tamanho de um leitor VHS destinada para a nossa sala de estar e ser ligada à TV. Tecnicamente até era interessante. Além de ler os CD's de música podia-se ver fotos formato Photo-CD, fazer Karaoke e ainda disfrutar de jogos interactivos. Igualmente alguns modelos corriam Video-CD's, espécie de DVD primitivo, muito popular na Ásia mas que aqui sempre foram uma raridade e ignorados.

Nesse tempo eu ainda nem tinha PC e o CD-ROM surgia no mercado timidamente com leitores a antigos 30 contos. Eram lentos na performance e sem ser profissionalmente não havia ainda gravadores CD-ROM. Também os jogos para o formato PC-CD ROM ainda não estavam maduros e precisavam de ser aperfeiçoados. Mas estava já convicto que mais rápidamente o CD-ROM iria ter sucesso do que o avantajado "tudo-em-um" CD-i. Não via o CD-i como substituto do VHS porque até não era possível gravar neles. E os Video-CD tal como os Laserdisc nunca cativaram as massas por cá. Tecnicamente os Video-CD's até tinham menos resolução do que o VHS (se bem que não se degradavam). E muito menos via o CD-i como fabulosa máquina de jogos porque cobiçava era jogar num computador. O CD-ROM parecia algo muito prometedor e revolucionário para o PC e o tempo veio a confirmar isso.

Por outro lado o CD-i parecia poder ter tudo para iniciar uma revolução na sala de estar mas a verdade é que interessou a muita pouca gente. Não foi por falta de promoção que falhou. Também não foi por incapacidade técnica ou falta de atributos. Nem por falta de títulos vídeo apesar de ficar muito aquém dos do catálogo VHS. Igualmente havia produtos didáticos e jogos suficientes. O preço dos leitores apesar de não ser barato era aceitável para algo que até fazia bastante. Custavam uns 80 contos e que era quase o mesmo que os leitores DVD custavam quando surgiram e esses até tinham menos funcionalidades que um leitor CD-i. O formato falhou porque simplesmente porque não despertou o interesse e desejo pois ninguém tinha a utopia de usar a sala de estar para tais coisas "multimedia" em família. A Philips quando se apercebeu que ninguém queria um centro multimédia começou a perceber que as pessoas estavam era mais interessadas em jogos e mudou a estratégia de promoção. Igualmente levou o CD-i ao PC mediante uma placa de expansão e até o ligou à Internet. Mas já era tarde demais. Do mesmo modo do que eu que nessa altura eu sonhava com as potencialidades do CD-ROM num PC (sobretudo para jogos) muitos ignoraram o CD-i. Aliás depois surgiram também as desejadas consolas de 16bits como concorrentes e entre elas a best-seller Playstation.

O centro multimédia na Sala de Estar era um sonho da Philips à frente do seu tempo. Ainda hoje não surgiu nenhum electrodoméstico que seja verdadeiramente um centro multimédia na sala de estar mas as consolas e os vindouros media centers preparam-se para um dia o fazer. Já a Commodore tinha tentado impor o multimedia na sala de estar com o CDTV (um vulgar Commodore 500 camuflado sob a forma de leitor CD de mesa) e falhou iniciando o declínio da marca alemã. Há sonhos que só o são para quem os sonha e que contados não faz ninguém tem vontade de viver neles. O CD-i era um dos tais.



Voltando a esse dia, perante colegas pouco interessados no assunto, opus-me ao sonho de Pedro Reuter. Disse-lhe que nunca iria triunfar, que o futuro seria seguramente o CD-ROM por muito que apregoasse as maravilhas da sua máquina. Confiante ou antes para esconder um quase anunciado falhanço Pedro Reuter apostou comigo um almoço em que passado um ano seria o CD-i o vencedor da contenda. Curioso é que a Philips além do CD-i apostava também forte no CD-ROM que era um filho seu e da Sony. Mas o CD-i era um produto totalmente seu e as compensações em royalties do CD-i seriam então melhores se o formato vingasse. Por isso insistiu até ao fim no extinto formato. Era a luta com a Sony pela supremacia nas guerras de formatos. Até hoje ainda nunca voltei a encontrar o Sr. Reuter pelo que o almoço nunca mo foi oferecido. Também guardo ainda "religiosamente" da minha victória "moral" um CD-i de demonstração de um trecho da ópera AIDA em Dolby Surround oferecido numa feira. A ideia era que pegasse nele e fosse a um stand de electrodomésticos para o experimentar. Como muita gente não o fiz e coloquei-o na prateleira. Nunca tive a chance de o usar e parece que nunca terei oportunidade para tal. Se o Video-CD, SVCD e outros formatos já quase desaparecidos como o HDCD ainda podem ser apreciados em novas máquinas como o DVD o CD-i já está enterrado e mais que esquecido. Menos para para a Philips que perdeu mais uma batalha e investiu milhões no formato...

Links interessantes sobre CD-i
FAQ sobre CD-i
No Wikipédia
Site sobre CD-i

Wednesday, December 28, 2005

Apple em 2006



Que Apple para 2006?

Em seguimento das minhas reflexões sobre o papel da Apple na inovação em contéudos digitais recomendo este interessante artigo na CNN que aborda as possíveis estratégias Apple para 2006. Nele pode-se encontrar boas pistas para o que Apple nos reserva. "Ler Artigo"

Tuesday, December 20, 2005

iTunes e TV





iTunes e a Evolução nos Contéudos Digitais

Apesar do sucesso e moda que são os iPods não sou adeptos deles. São bonitos estéticamente sim, mas tecnicamente acho que há muito melhores produtos e soluções quanto à qualidade de som, funcionalidades e mesmo na duração da bateria. Os recentes problemas com os visores do Nano e propensão aos riscos confirmaram o que sempre tinha pensado, que a sua concepção é pouco adequada ao uso quotidiano. E o preço bem, já se sabe que é exagerado em relação ás suas funcionalidades. Paga-se a marca, paga-se o estilo.

Se não nutro simpatia pelo iPod quanto à loja virtual iTunes admiro-a bastante. E este post tem mesmo o objectivo de constatar a importância que o iTunes está a ter na evolução do comércio digital de contéudos multimédia. Se numa primeira fase o iTunes foi um sucesso como loja de música digital assiste-se agora a uma nova era. Agora que também o iPod visualiza vídeos (algo que já acontecia noutros leitores há muito) a Apple dá um passo de gigante ao ter já disponível conteúdos TV da NBC, ABC, Disney, Sci-Fi e muitos outras importantes cadeias TV. Isto permite a que qualquer um de nós possa por mais ou menos 2 dólares descarregar e ver no PC ou num iPod séries como Perdidos, Donas de Casa Desesperadas, Jay Leno e tantos outros programas poucas horas depois de terem sido emitidas no respectivo canal. Igualmente qualquer pessoa pode agora ver episódios que perdeu e mesmo poder criar um DVD com toda uma série antes de ser editado.

Penso que mais significativo de que poder ver estes contéudos em qualquer iPod e em qualquer lado, o mais importante é mesmo avaliar o facto destes estarem efectivamente disponíveis digitalmente para venda. E o que isto implica? Primeiro é de que as editoras ao distribuir digitalmente contéudos usualmente editados em DVD poderem diminuir no custos de fabrico, embalagem e distribuição de DVD's e conseguinte aumentando os lucros. Outra é a de tentar diminuir a pirataria ao disponibilizar legalmente e a custo reduzido episódios que são usual objecto de procura nos p2p mesmo logo após a sua emissão em tv. Ainda há o facto de poderem agora arriscar na edição de contéudos sem perder mais do que o custo da sua transferência para formato digital. Isto poderá levar a que séries menos populares que eram mantidas na gaveta por temerem que a edição física não compensasse virem finalmente a ser disponibilizadas.

Agora que os centros digitais de sala começam a surgir mesmo que a altos preços começa-se a dislumbrar com mais clareza o futuro dos contéudos digitais. Mas ainda há bastantes incertezas e dúvidas. Tudo ainda depende muito de várias jogadas como o da Microsoft que só agora se aventura com a MTV no lançamento de uma loja online chamado Urge. Também resta saber como uma consola de 3ª geração como a Xbox e o Windows XP Media se integrarão com o Urge. É bom que a Microsoft saiba criar uma sinergia tal como a Apple a criou entre o ITunes e o iPod. Mas a grande pergunta será saber se a Microsoft não chega demasiado tarde ao mercado tal como tarde se apercebeu da importância da Internet. Por agora a iTunes e mesmo com concorrência como o Napster é líder inconstestado. E qual será o próximo passo da Apple? Eu arrisco um. Um centro digital Apple para o nosso lar. Aceitam-se apostas...

Monday, December 12, 2005

HDTV @ PT





Alta Indefinição

A motivação para ter uma TV de ecrã largo em nossas casas é cada vez maior. A oferta de ecrãs 16:9 sejam LCD, Plasma e de Retroprojecção abundam nas lojas e cada vez com preços mais convidativos. A Fnac até já dá enfâse ao modelos que são HD Ready ou seja compatíveis com alta definição via HDTV preparando o consumidor para o vindouro formato televisivo. As novas consolas como a Xbox360, a PSP portátil e a futura PS3 já funcionam nativamente como jogos panorâmicos. E até já se vê mais portáteis PC e Mac widescreen do que 4:3. Enfim, tudo aponta que a nova forma de ver os contéudos sejam em que plataforma for é numa visão panorâmica.

A TV de Alta Definição teve bastantes lutas de formatos e fracassos no seu início. A Europa e sobretudo alguns paises nórdicos foram pioneiros a apostar em contéudos em formato HD-MAC muitos anos atrás mas por razões técnicas nunca foi popular entre os operadores televisivos. O Japão teve o seu formato MUSE. Agora o HDTV parece ser a norma a seguir e o Japão e a Europa convertem-se a ele. Na América do Norte operadores como a ABC,NBC, Fox e outras emissoras já tem emissões e contéudos HDTV e populares séries como Lost e Alias são produzidas em alta definição. E até programas mais do dia-a-dia como o talk-show de Jay Leno também já o é.


Jay Leno em HDTV é uma realidade de há muito

No entanto cá só podemos ficar preocupados de como se prepara a transição para o 16:9. A forma como as estações nacionais tratam os contéudos widescreen já disponiveis é censurável. Quando se vê constantemente estações como a SIC e a TVI a exibirem filmes deslumbrantes (como por ex o Senhor do Aneis) em formato Pan & Scan (palavra técnica e elegante para "filmes mutilados") só podemos ficar desapontados. A RTP ocasionamente ainda respeita o formato original de alguns bons filmes e contribuí normalmente para o projecto financiado pela comunidade europeia Pal Plus (que é uma espécie de meia alta definição e é já um projecto falhado) onde aliás tambem a TVI já exibiu alguma (mas pouca) coisa neste formato. Igualmente a estação de serviço público estatal esforça-se em apresentar contéudos nacionais em 16:9 o que é de aplaudir (concertos como o de Madredeus no CCB, telenovelas juvenis como O Diário de Sofia e alguns documentários são bons exemplos). No entanto a falta de interesse e de respeito pelo 16:9 alarga-se aos canais mais modestos. A equipa técnica da Sic Radical demorou a apercebe-se que andava a exibir séries Anime e comédias BBC no formato errado distorcendo proporcionalmente a visão de tais contéudos.

Se já agora há desleixo a transmitir o que há e pouco interesse em criar apetite ao espectador para o ecrã largo o que dizer quanto ao surgimento de canais realmente de Alta Definição? Por enquanto nada ou muito pouco no horizonte. Desde 1998 que se começou nos jornais nacionais a falar sobre a milagrosa Televisão Digital Terrestre que iria mudar as nossas TV's, no entanto a crise económica levou a um desinteresse que provocou adiamentos e incertezas. De avanços efectivos quase nada porque parece que ficou tudo em águas de bacalhau. 2002 era a data de inicío das emissões nacionais. Onde andam elas então? Não andam. A Anacom em 2003 até revogou a licença à única interessada que deu o passo de obter a licença que foi o consórcio PTDP (que integrava a RTP e SIC).

Se por via terrestre (antenas convencionais) não há TV de alta definção, pelo menos por cabo e só somente para os clientes Cabovisão está acessível o canal europeu HD-1 que emite 24 horas por dia. Isto pagando 300 euros (?!?!) por uma setup box e mais 5 por mês. Mas tendo muita gente pago bastante pelo seu televisor topo de gama, bem que pode ser mais uma forma de rentabilizar o investimento. Também se pode aceder por satélite a emissões pagas da HD-1. A inglesa Sky prepara-se igualmente para em 2006 lançar as suas emissões HDTV com uma larga oferta.

Desta forma, no nosso triste Portugal os televisores 16:9 servem tão só e somente para ver filmes DVD e jogar jogos panorâmicos para quem já pagou bem para ter consolas de ultima geração. A Televisão Digital Terreste é no momento uma miragem. E as emissões nacionais PalPlus são escassas. E mesmo o que podia ser emitido em baixa resolução mas com ecrã panoramico como por ex. os filmes não o são. E assim é ver os lojistas a terem de se escudar em demonstrações de filmes/DVD Demos para venderem os televisores panorâmicos. Outros vendedores realmente inconscientes exibem as regulares emissoes 4:3 num forçado 16:9, ainda por mais com televisores de cores mal reguladas e sinal de antena medíocre.

Em 1998 o DN publicava o título. "Revolução Digital chega a Portugal. Em 2001 os portugueses vão ter de comprar novos aparelhos de TV. O Governo vai avançar rumo a uma nova era televisiva." Agora passados quase 8 anos resta-nos rir desalmadamente com esta notícia.