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Saturday, May 24, 2008

O Último Pio





O Último Pio

Torna-se até poético que a despedida seja feito hoje dia de Eurovisão, dia de convulsões e novas mutações no dito Festival. Sinal dos tempos, o interessante e multi-facetado músico francês Sebastian Tellier, antes mais dado a "ambientalismos" agora mais electro-rocker participa pelo seu país, desafiando os chauvinistas costumes gauleses ao cantar em inglês.

E se já tinhamos assistido a mudanças extremas como o facto de uma canção hard-rock vencer o concurso, o facto de novas sonoridades fazerem a sua aparição este ano como o caso do Reggaeton espanhol (perdendo nós assim a oportunidade de lhes enviar antecipadamente a Ana Malhoa) e o electro-tango da Cróacia só vem confirmar que os tempos são outros.

No entanto neste canto plantado chamado Portugal a mudança quase não existe. Novamente adormecemos a Europa com mais uma triste baladinha nacional que não fora a popularidade interna televisiva da cantora nem haveria de passar a pré-eliminatória. Ano que até tinhamos Gimba apostando numa interessante retro-incursão yé-yé "Magicantasticamente" dos seus "Blá Blá Blá" podia bem dar outro sabor à Europa com aquele forte e melódico refrão.

O facto de ocasionalmente eu receber irados e anónimos comentários em defesa da caquéctica prestação de Eládio Clímaco no ano que os Lordi ganharam o eurofestival só prova a tacanha mentalidade lusitana reinante. Como se o facto de me lembrarem o c.v. de tal apresentador disfarce o patetismo do que aconteceu ou o torne apto a apresentar um festival já algum tempo desfazado dos seus comentários. A esses comentadores anónimos ganhem é a coragem de ter um rosto/nome tal como eu o fiz ao emitir publicamente a minha opinião.

Indiferente a tais comentadores, em busca da tal mudança que por cá pouco existe e mais de um ano após último post, aliás por razões por razões tristes (que só confirma a mediocridade nacional), o piu piu sente que não faz sentido permanecer neste limbo e que é altura de partir. Obrigado a todos. Au revoir...

Wednesday, June 21, 2006

Ukuyéyé @ Mareva Galanter





Pourquoi pas?

Mareva Galanter, uma taitiana, é uma antiga Miss França, trampolim que aproveitou bem para se tornar apresentadora de tv e actriz. Decidida a contagiar o reino musical com o seu exotismo lança agora o seu primeiro álbum intitulado Ukuyéyé. E o (feliz) nome não engana, pois há muito Ukelele e Yé-Yé no seu trabalho. Seguindo os passos de April March, Coralie Clément ou Keren Ann também Mareva recupera o yé-yé francês dos anos 60. E a miss Galanter faz-o bem tendo a originalidade de acrescentar também a tropicalidade dos sons da sua terra natal com igualmente uma pequena dose qb de electrónica.

No álbum desfilam velhos sucessos "recauchutados" celebrizados por raínhas do Yé-Yé como por ex. France Gall, Charlotte Leslie e Jacqueline Taïeb. Apesar do cariz desprentensioso e despreocupado do trabalho Galanter corre sempre o risco de ser comparada com as consagradas divas. A França é a terra do Yé-Yé e uma ex-miss, debutante na carreira musical pode ser para os esquisitos gauleses um atrevimento, mesmo tendo em conta a ligeireza que sempre foi o formato Yé-Yé. Mas nada leve e despretensiosa é a aposta em marketing da sua editora. Além dum site cuidado e dedicado só ao álbum, rodou já seis videoclips promocionais. E os tentáculos da sua propaganda são tão fortes que foi no fráncofono canal M6 (agora muito censurado graças à SportTV) que um "tuga" como eu teve conhecimento precoce da artista mesmo antes do trabalho ter sido lançado.

O cartão de visita de Ukuyéyé é o single e teledisco Pourquoi pas moi? que conta com o toque de Zero Gravitski por outras palavras do produtor Vincent Nayrolles. Os mais atentos poderão reconhecer o local da rodagem como sendo o único e imcomparável monumento da arquitectura retro-utópica que é o Palais Bulles criado por Antti Lovag em Cannes o que me parece perfeito para este tipo de sonoridade que cruza o easy listening, o rock garage e os sons exóticos.

Resta recomendar os links onde poderão descobrir a música de Mareva Galanter e desejar-lhe bonne chance e que continue a dar alegres "yé yé yé"'s e "yó yó yó"'s. :)

Site oficial de Mareva Galanter
Site promocional de Ukuyéyé
Site da AOL com os 6 vídeos
Vídeos no YouTube

Sunday, June 11, 2006

Midisport @ Uwe Schmidt





14 futebolistas num batido de chocolate

É a febre nacional e não há maneira de lhe escapar. Jornais, revistas, televisão e rádio só dedicam os seus espaços ao mundial de futebol e à selecção nacional. E chegamos ao ridículo de estarmos num país onde a ditadura está instalada já que o selecionador nacional e o dirigente máximo da FPF se insurgem contra a liberdade de expressão dos comentadores e pior ainda criticam mesmo quem por direito próprio não gosta de futebol.

Não chego ao extremo de Pacheco Pereira, mas não alinho certamente nesta febre lusitana. Quando o futebol deixa de ser algo lúdico e se torna histeria os pontos positivos de tal (ou qualquer outro) desporto tornam-se nefastos. O país está paralizado, expectante e com tanto optimismo qualquer precalço irá deixar o país em estado de coma.



O "meu piu piu" prefere saudavelmente saborear o futebol de forma mais divertida juntando-se ao lobby dos "intelectuais musicais". Assim como banda sonora para estes dias sugiro 14 Footballers in Milkchocolate dos Midisport que por outras palavras não é mais que um projecto de Sr. Atom Heart ou Uwe Schmidt e que é um divertida exploração electrónica do tema do futebol com os ritmos latinos brasileiros. Tão patético como o nome deste trabalho e do nome dos temas "14 Footballers" é uma deliciosa desconstrução, corte e colagem do samba resultando em temas uma vezes bastante melódicos outras vezes semi-fragmentado na sua construção. Para quem gosta do que Uwe Schimdt fez sob o alter-ego Sr. Coconut vai ser certamente gostar deste aprofundamento da cultura musical brasileira onde batucada, as sonoridades tropicais de Jobim, folclore canarinho e samples alusivos ao futebol se misturam.

Para quem queira descobrir este trabalho vai ter de se esforçar um bocado. A edição é já de 2001 e como muitos trabalhos de Atom Heart este só teve uma edição limitada de 1000 exemplares e eu até arranjei este CD por feliz acaso. Portanto aconselho uma busca em paisagens mais "underground". Boa sorte para a caça, à selecção e não se iludam muito.

E será esta sugestão musical um prenúncio dos futuros vencedores?

Classificação

Saturday, June 10, 2006

Nu-Kuduro @ PT





Nu-Kuduro?


Tempos atrás falei da apropriação dos ritmos do funk das favelas brasileiros por Kevin Federline, ex-bailarino, namorado de Britney Spears que na sua patética pretensão de uma carreira musical criou (mandou criar) uma canção de lançamento que foi alvo de chacota em todo o lado. É que Federline ficou colado à mediocridade da própria letra "sexo-chunga" do estilo de origem. O que resulta numa favela não resulta no universo MTV. Pelo menos sem uma reciclagem...

No entanto se Federline falhou ao levar a sonoridade das favelas para o mainstream, a verdade é que a "cena" musical de dança londrina já tinha conseguido utilizar a mesma sonoridade dando-lhe um cariz mais chique e tornando-a moda local. O aproveitamento e recuperação de sonoridades mais low-culture acaba por ser umas das poucas formas de reinventar o esgotado panorama musical dos nossos dias.

Era inevitável que por cá alguém tivesse a ideia (e a coragem) de utilizar os sons africanos da comunidade dos palop's. Foi devido a uma reportagem sobre o Popular ound Clash que tomei conhecimento dos Buraka Som Sistema (alterego dos 1Uik Project) que se dedicam ao Nu-Kuduro (expressão colocada no próprio cartaz do evento) ou Kuduro progressivo como a própria banda gosta de rotular a música que fazem.



Pelas músicas disponibilizadas fico ainda inseguro para dizer se houve sucesso na transplantação do sons angolanos para um som mais cosmopolita. Se por vezes parece haver uma eficaz injecção do kuduro em músicas idm o certo é que quando ouvi "Yeah featuring Petty (ao vivo no Mercado)" fiquei um bocado reticente por haver uma colagem tão grande a um kuduro mais "rasca". Tendo já como editora a Enchufada (de Melo D) vamos então esperar por edições e ver o resultado deste projecto. É que Diplo, divulgador internacional do funk de favelas já está desejoso de os mostrar ao mundo.

Por enquanto podem ouvir as músicas em
http://www.myspace.com/burakasomsistema

Sunday, May 21, 2006

Eládio Clímaco @ EU





O Eurodecano

Para finalizar, um último post sobre a Eurovisão. Tinha dito antes porque não haveria uma banda de heavy metal ganhar e cá está. A banda finlandesa Lordi foram os vencedores do Eurofestival da Canção. Até conseguiram resistir à Rússia que benefeciava do habitual carrossel de votos que os países de Leste promovem entre si. Isto é bom. Significa que o concurso é uma competição aberta que alia a tradição a novas ideias, sonoridades, gostos e realidades.

No entanto se o festival se parece ir adaptando aos tempos que correm, Eládio Clímaco esse é que parece parado no tempo. É uma aberração tão grande como o seu nome. A sua prestação como profissional de locução foi na final tão patética como inacreditável. Interpretando o papel de "velho do Restelo" o decano dos eurofestivais passou o tempo incrédulo a recusar-se a acreditar na retumbante vitória dos Lordi e pouco faltou para difamá-los. Eládio disse que os Lordi venceram somente pelo esforço de envergar aqueles fatos. Que não percebia como tinham vencido em vez da sua favorita enéssima baladinha irlandesa porque não tinham melodia. Eládio vive certamente noutro mundo e nunca reparou no mundo que o rodeia e como os gostos vão mudando. Também não reparou que os votos são por SMS algo que nos jovens está muito mais enraízado do que nas velhas gerações. E depois as gaffes... Foi anedótico ouvir que por a Finlândia ter ganho a próxima emissão será em... Reiquejavique. Penso que até traduziu um comentário de um votante, algo "you look like Will and Grace" para "vocês parecem mesmo gregos". E os seus repetidos "Já não há nada a fazer" e os "não há volta a dar" em cada ronda de votação foram de uma imparcialidade fanática. Foi um péssimo exemplo de falta de ética, cultura e profissionalismo. Sócrates tanto quer que as pessoas se reformem o mais tarde possível mas para Eládio temos de abrir rapidamente uma excepção.

P.S. Uns Moonspell na Eurovisão não teriam tanta piada como os Lordi, mas temos os Blasted Mechanism que em imagem de palco e originalidade do seu rock exótico iriam arrasar. E porque não? Basta a RTP abrir os olhos.

P.S.2 Parece que no ranking já somos o pior país da Eurovisão já que todos países já alcançaram melhores posições do que nossa melhor participação (a canção de Lúcia Moniz relembro). Hurrah! A mediocridade é totalmente nossa!

Friday, May 19, 2006

NonStop @ EU





FullStop

Só queria com este post pedir desculpas pelo que escrevi ontem. Tinha dito que o "pacote" enviado ao Eurofestival pela RTP tinha "pés e cabeça". Ora parece que estava a avaliar a coisa muito ao de leve afinal. Para mim a canção até parecia aceitável e a escolha de um grupo jovem podia trazer uma energia e frescura acrescentada à performance. O que não esperava é que estragassem tudo com tão pouco empenho e imaginação. Num festival em que todos se esmeram por apresentar um visual rico, glamoroso e coreografias arrojadas nem consigo perceber o que se passou pela cabeça dos responsáveis da RTP.

Começando pela coreografia e mise-en-cène foi uma tristeza por ser tão banal. Foi tão mal concebida ou executada que vi mesmo uma das NonStop a tentar recuperar apressadamente a sua posição para a pose final. Quanto à vestimenta, bem, que trapos tão fracos. Um maillot colorido, um corpete, duas ou três plumas e está feito. Pagam a um estilista para isso? Certamente deviam estar à espera que as NonStop encantassem só por si enviado-as semi-vestidas. Mas é que enquanto nós enviamos uma girls-band com ar de teenagers, os outros países enviam jovens e frescas cantoras mas com um ar adulto e carnudo parecendo muitas "Shakiras" e "Britneys" (por outras palavras enviam as clássicas "mulheraças"). Como podem as NonStop na arte de sedução competir nesses atributos?

Mas o pior, o pior de tudo é QUEM FOI A PARVA QUE ENTROU COM O REFRÃO EM FALSO quase logo no ínicio? Para um grupo que supostamente tanto deve ter ensaiado não há nervos que perdoem tal falha. Já passaram uns anos desde o concurso "Popstars" e apesar de quase não terem feito muito desde lá já deviam ter o profissionalismo suficiente.

Também não se compreende que elas tenham parecido cantar quase à "capella" tal ináudivel era a música. Isto, depois dos problema ditos "técnicos" do ano passado começa a ser dejá-vu a mais.

E que tal enviarem para o ano o Zé Cabra ou o Sandro G? Se afinal uma banda heavy-metal e um grupo que quase só gritava "We are the winners of Eurovision!" chegam à final porque não levarmos antes algo com que a Europa se ria (já que não temos Shakiras...)?

Thursday, May 18, 2006

Lordi @ Eurovision





Hard Rock Hallelujah?

Hoje é dia da semi-final do Eurofestival da Canção que decide a presença ou não na final do tema nacional em que relembro somos representados pelas NonStop. Dizem as más línguas que novamente ficaremos pelo caminho já que criticam os fatos de Dino Alves, a música, a coreografia, enfim tudo. Por mim eu até acho que o "pacote" criado pela RTP tem "pés e cabeça", mas no entanto aquele festival tem uns interesses e desígnios muito peculiares. Bem, boa sorte e que os interesses dos lobbies da eurocanção estejam com elas porque até não é delas que quero falar aqui.

Começa a ser habitual apresentar estilos menos convencionais que o Euro-pop no tradicional festival. Estilos como o rap, o etno, o disco, o techno, o electro-pop todos já foram ao longo dos anos tentados no evento. Lembro-me de no ano passado os Noruegueses Wig Wam se terem apresentado com um estilo hard-rock/glam rock com a canção "Rock is the New Schläger". Mas este ano a delegação filandesa tenta algo mais "pesado" ao apresentar um grupo de Heavy Metal, os Lordi. Grupo de sucesso no seu país o grupo distingue-se por uma apresentação cénica em que se disfarçam como monstros gore. Esta sui generis banda nunca dão entrevistas e tal como os míticos Kiss nunca mostram a sua cara. A sua presença no festival é bastante contestada por alguns (sobretudo gregos que são os organizadores) por os consideradarem um grupo "satánico". Não serão certamente anjos mas a canção inserida no ramo a que se dedicam é bem branda, melódica e fica no ouvido. Relembra as clássicas canções hard-rock americanas. No ano passado a Filândia saiu do festival com zero pontos e esta é "vingança" (ou será o desespero?) dos nórdicos. Por tudo isto vai ser divertido ver o festival nem que seja para me rir com esta "afronta" chamada "Hard-Rock Hallelujah" que parece quase contra-natura na Eurovisão. E se até uma transexual já ganhou uma vez porque não uma banda (levemente) Heavy-Metal?



Fica a letra e os links para a canção ser ouvida e vista

Hard Rock Hallelujah!
Hard Rock Hallelujah!

The saints are crippled
On this sinners’ night
Lost are the lambs with no guiding light

The walls come down like thunder
The rocks about to roll
It’s the Arockalypse
Now bare your soul

All we need is lightning
With power and might
Striking down the prophets of false
As the moon is rising
Give us the sign
Now let us rise up in awe

Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
Demons and angels all in one have arrived
Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
In God’s creation supernatural high

The true believers
Thou shall be saved
Brothers and sisters keep strong in the faith
On the day of Rockoning
It’s who dares, wins
You will see the jokers soon’ll be the new kings

All we need is lightning
With power and might
Striking down the prophets of false
As the moon is rising
Give us the sign
Now let us rise up in awe

Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
Demons and angels all in one have arrived
Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
In God’s creation supernatural high

Wings on my back
I got horns on my head
My fangs are sharp
And my eyes are red
Not quite an angel
Or the one that fell
Now choose to join us or go straight to Hell

Hard Rock Hallelujah!
Hard Rock Hallelujah!
Hard Rock Hallelujah!
Hard Rock Hallelujah!

Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
Demons and angels all in one have arrived
Rock ’n roll angels bring thyn hard rock hallelujah
In God’s creation supernatural high

Hard Rock Hallelujah!

Site Oficial dos Lordi (com cançao online)
videoclip no YouTube

Saturday, May 06, 2006

Nina vs Ilona





Nina vs Ilona

Ao finalizar o post anterior descobri que afinal temos uma "Ilona" portuguesa. Chama-se Nina e tanto a imagem e música é uma cópia um tanto descarada do original francês senão veja-se a boneca com o coração, os pilares, as abelhas, as flores. E até mesmo existe um crocodilo como no "Un Monde Parfait"! Uma má e foleira cópia da Vidisco. A animação 3D não está má se bem que não aprecie as superfícies um tanto "plásticas". Mas isso não desculpa nem o roubo quase descarado nem a fraca qualidade estética. O design e estética mais estilizada de Ilona Mitrecey é de melhor qualidade comparado com o 3D um tanto demodé da Vidisco.

Pena que nem a copiar os nossos produtores consigam ser originais. Mas será que queriam mesmo o ser? Puro oportunismo. Uma vergonha nacional. Este plágio só vem dar mais razão ao que escrevi no post anterior. Não há produção musical infantil em Portugal.


"Lá vou eu, lá vou eu por por esta estrada interminável..."


Quem não caça com pinguim, caça com galo
e abelhas...


Dejá vu? Plágio? Não, não, as "nossas" colunas
são claramente de um estilo mais jónico.

Links
Ouvir extractos das músicas na fnac.pt
Ver o videoclip no site do criador 3D Tiago Castro

Música Infantil @ PT





Há produção musical infantil em Portugal?

Assisti por acidente a um Top+ e vi o videoclip "Un Monde Parfait" da francesa Ilona Mitrecey que tem encantado a nossa pequenada. A animação 3D é colorida, alegre e tão cativante como a música. Os franceses bem se podem orgulhar de saber entreter a criançada deles (e a nossa também).

E nós por cá, o que de nacional tem a indústria musical para oferecer aos nossos petizes?

Os D'zrt diriam, que são um mega-sucesso. Antes fosse. De nacional só o facto de quem "canta" e dança (e provavelmente esperemos de quem faz os arranjos) ter nacionalidade portuguesa. Já muitos estão a par que a música e a letra do grande hit "Para Mim Tanto Me Faz" não é nada mais que uma importação. A letra é muito baseada de Que Mas Da dos espanhóis Efecto Mariposa enquanto que a sonoridade é mais inspirida na versão japonesa de Nami Tamaki em High School Queen. Três canções, cantadas em países diferentes que não são mais que variações de uma canção de aluguer (uma espécie de stock art musical) de uma produtora musical estrangeira.

No mercado televisivo a SIC na luta com a TVI relança as novelas portuguesas. Floribella que apresenta a sua própria "banda" brevemente deve lançar um CD. Foram buscar felizmente verdadeiras cantoras (Luciana "Borboleta" Abreu e Raquel Guerra dos Ídolos) e um actor/músico (Rodrigo Saraiva) que mesmo assim sempre é mais "músico" que os modelos/"actores" dos D'zrt. Mas mais uma vez a SIC continua agarrada à "brasileirada" como nas suas restantes novelas. O tema musical/genérico "Pobre dos Ricos" não descola quase nada da versão brasileira (que por sua vez não deve ser muito diferente do original argentino). Novamente as televisões não arriscam nada e preferem fórmulas "prontas-a-usar". Entretanto a TVI "refresca" o seu reportório estando já a preparar o caminho para os sucessores dos D'zrt. Podem ainda ser um sucesso mas o ciclo de vida do produto "D'zrt" já não é tão rentável e o público naturalmente começa a precisar de algo mais fresco.

Tanto se fala de não se aposta nas Rádios e TV na música nacional. Mas talvez mais preocupante é que já nem sequer existe produção musical infantil verdadeiramente nacional. Mas este problema já não é de agora. Ana Faria, Onda Choc e Mini-Stars há bons anos atrás não recorriam a mais que hits internacionais. A raíz do problema já vem daí e no facilitismo e na preguiça de produzir algo realmente novo.

Olha-se para o top nacional para perceber a subsistência do problema nos dias de hoje. Os D'zrt são música encomendada e importada, Ilona Mitrecey é um sucesso francês e o Noddy são adaptações do já feito lá fora. Até as Músicas da Carochinha e Escolinha da Música não são nada mais que os velhos clássicos infantis (pouco) recauchutados mesmo que por ex. neste último acrescente animações feitas em Flash e sejam relançados em DVD como Karaoke. E é isto o pouco que temos para oferecer às gerações vindouras.

Já não há Josés Baratas Mouras, Joeis Brancos e Marias Armandas que façam música portuguesa para as camadas mais jovens. Até mesmo as aparições de Carlos Vidal como Avô Cantigas já são escassas e sente-se provavelmente impotente competir com fenómenos marketing como D'zrt. É que as crianças de antigamente culturalmente já não são bem como as de agora. Isso e a produção musical infantil nacional está claro...

Thursday, May 04, 2006

The Like Young @ Injustiçados





Injustiçados (1) - The Like Young

Inauguro mais um arco de crónicas. Nesta temática falo de casos que mereciam o sucesso e as luzes da ribalta confrontando-os com outros exemplos do género que já conquistaram o seu lugar ao sol.

Jack e Meg. Joe e Amanda. Ambos são duos "homem na guitarra e rapariga na bateria". Mas as semelhanças ficam talvez por aí.

Jack e Meg. Certamente já perceberam que me refiro aos White Stripes. Duo de irmãos, amigos, ex-namorados ou sabe-se lá o quê. Ele desejado por muitas e considerado um sex-symbol. Ela parecendo ter "carne" suficiente para aguentar a pedalada num "bombo". Vivem na alta roda musical internacional, saltitando de hóteis para concertos, talk-shows e festas. O star-system já é o mundo deles.

Joe e Amanda. Provavelmente ainda poucos ouviram falar dos The Like Young. Casal pacato. Ele não tendo propriamente a beleza para ser um sex-symbol, ela aparentando uma fragilidade e a delicadeza de quem nunca conseguiria tocar bateria. Vivem na pacatez de Illenois e da música ainda não conseguem sobreviver. O espírito "indie" está-lhes certamente nos ossos.

Confesso. Não sou grande adepto de rock'n roll, do rock-pop e dos instrumentos que menos aprecio é mesmo a guitarra eléctica. Apesar de tudo é difícil não gostar de certas músicas dos White Stripes. Mas não é amor que me leve a ler as críticas e entrevistas, comprar os albums, desejar ir aos concertos.



Quando oiço The Like Young fico enfeitiçado pela sonoridade do casal Ziemba. Músicas breves, cingindo-se à essência de uma sonoridade lo-fi quase rude, sem muitos artíficios (poucas vezes com o uso de uns teclados) mas com uma leveza pop-indie desconcertante. Joe ataca com os seus riffs e a sua voz zangada enquanto que Amanda mesmo com as suas fortes percussões consegue ainda adocicar as músicas com os seus coros, completando-se assim os dois numa perfeita e saudável harmonia.

É díficil não sentir uma simpatia por este casal quando se vê os telediscos e se ouve as músicas. Espero que esta simpática banda chegue mais longe. Estando já no terceiro (mini)-álbum ainda vivem quase no anonimato. É difícil saber o que se passa na casa dos Ziemba mas ouvindo os seus trabalhos quase que pensamos que tudo devem ser rosas no lar deles, até mesmo quando discutem. Ou então a simbíotica música deles engana muito bem...

Site Oficial | http://www.thelikeyoung.com/
MySpace | http://www.myspace.com/thelikeyoung/

Videoclips

For Money Or Love | QuickTime MPEG-4 (14 MB) | Windows Media WMV (21 MB)
Sabine & Me| QuickTime MPEG-4 (11.9 MB) | Windows
Media WMV (21 MB)

Out To Get Me | Quicktime MPEG-4 (8.3 MB) | Windows Media WMV (14.9 MB)
Snobs And Slobs | Quicktime MPEG-4 (17.5 MB) | Windows Media WMV (28 MB)

MP3's

For Money Or Love | Dead Eyes | Worry A Lot | Tighten My Tie | Even If It's Getting Late | Looked Up | Bad Excuse | You Can't Get It Back | I Love How You Love Me | I'm In Love

Tuesday, April 04, 2006

Blitz



Blitz is dead!

O meio musical neste país é tão minúsculo que já vamos deixar de ter direito ao único semanário português sobre música. O Blitz pelo que li no Meios e Publicidade vai passar em Junho a ser mensal e reduzir para metade os efectivos. O jornal sabe-se lá porquê nos últimos tempos nunca foi muito rentável. As recentes tentativas de torna-lo mais mainstream com capas, suplementos e destaques claramente a puxar para o popular é capaz de não ter tido muito resultado.

Eu pessoalmente creio que não seja uma questão de vendas, questões meramente editoriais mas de custos operacionais. Sempre torci o nariz em ver este jornal gerido por grandes grupos. O Blitz é algo que deve ser proporcional ao tamanho do mundo em que vive. Deve ter uma estrutura ágil e reduzida, instalações quasi-virtuais, e viver de jornalismo quase voluntariado como publicações como a Mondo Bizarre e muitos dos magazines musicais web nacionais que surgiram. Por outras palavras deve crescer de baixo para cima e não esperando à partida atingir metas de rentabilidiade fixadas pelo conselho gerente do grupo. Igualmente deve ter uma simbiose com os novos meios como a web algo que nunca conseguiu plenamente executar. Mas esta é claro a minha modesta opinião...

José Cid @ Maxime



Kitsch Superstar!



"Eu fui ao Maxime e vi o Cid!". Músicos, celebridades, críticos, gente fina, gente comum extasiaram-se em duas noites esgotadas de José Cid no mítico Maxime, ex-casa de alterne, agora gerido por João Manuel Vieira. Sobre essas noites não comento, não estive lá (tenho pena realmente) e outros estarão mais habilitados para tal.

Falarei aqui sobre o fenómeno "Cid" pois algo mudou. Dantes era um culto kistch semi-escondido e envergonhado. Confessava-se em surdina a sua admiração por Cid um pouco com receio de ser mal-visto. Agora é de muito bom tom referir abertamente o apreço pelo "Mestre". Porque se aprecia verdadeiramente e somente o mundo kitschiano de Cid? Porque se aprecia as muitas geniais facetas da música de Cid? Não o sei dizer. Cada cabeça, sua sentença. Alguns talvez só levem em conta uma das facetas, outros ambas. Mas muitos outros talvez porque agora parece ser moda e isso torna perigosamente José Cid a ser equiparado a uma anedota pública como José Castelo Branco.

Certo é que existe agora uma validação deste culto elevando-o a um fenómeno aprovado. A divulgação de tais concertos nos jornais, de crónicas em blogs musicais respeitaveis (como o Juramento sem Bandeira de Vitor Junqueira) dão legitimidade ao culto. O facto de o próprio Rodrigo Nogueira, responsável pelo afamado Blog Clube de Fãs de José Cid já não ter feito crítica no seu blog pessoal mas sim no mais "respeitável" Bodyspace aponta nesta direcção. O culto já não é underground, tem aprovação da crítica musical, dos media, do star-system, do público em geral.

Eu estou expectante. Não sei e não imagino se esta popularidade súbita seja nefasta ou não para o puro deleite kistchiano ou do talento musical de Cid. Espero é que realmente se aprecie Cid em si, não pelo fenómeno, não pela risada fácil das extravagâncias de José Cid. Este homem é grande pelo que fez musicalmente. Seja na vertente mais arty e já remota que muito esquecem ou no lado mais popular e "foleiro". O sua genialidade estava presente nas várias ocasiões. Cid é mesmo mãe do Rock Português...

Friday, January 27, 2006

Mozart & Falco





Duplo Tributo

Hoje é o aniversário (coisa estranha esta de celebrar aniversários de mortos) de um dos maiores prodígios da música. Com certeza não estou a dar novidade nenhuma porque com tantas reportagens, notícias e até uma homenagem do Google é difícil não dar pelo facto.

O piu piu também reconhe o seu génio e apresenta à sua maneira um tributo a um austríaco morto evocando outro austríaco já falecido.

Johann Hölzel teve a sorte de conseguir viver mais 5 anos (morreu aos 40) do que Mozart. Foi conhecido pelo nome artístico de Falco e foi mais um que celebrou o talento de Mozart com a música "Rock Me Amadeus". Milos Forman tinha-o feito no cinema, Greenaway na video-art e já vários músicos recriaram a música de Mozart em inúmeros estilos do qual me lembra entre outros a vertente "etno" de "Mozart in Egypt". Mas a homenagem de Falco assume maior importância porque o fez no estilo mais popular dos nossos dias, o pop-rock. Se Mozart era uma estrela da altura (pelo menos nas cortes e salões da época) é pertinente que esta homenagem tenha sido feita hoje em dia no estilo de música que mais gera pop-stars.

É um facto que os mortos são "explorados" pelos vivos. Muita gente fez e vendeu discos, filmes, séries, livros sobre Mozart. E se Falco encaixou algum dinheirito aproveitando-se de Mozart outros aproveitam-se agora de Falco. Como morto também ele já tem direito a estas "homenagens". Falco Meets Amadeus é um musical de 2000 sobre as músicas de Falco recorrendo ao imaginário visual da época de Mozart. É a exploração de uma exploração se bem que "politicamente correcto" chamada de homenagem. Como sempre a dinheiro chega sempre (aos bolsos de outros) depois de morto. A fama é que ninguém lhes tira, mesmo enterrados.

E viva Mozart (e já agora viva Falco também!).

He was the first punk ever
To set foot on this earth
He was a genius
He could play the piano
Like a ring and a bell
And everybody screamed:
Come on, rock me Amadeus

He was a superstar
He was dynamite
And whatever he did
Seemed to be all right
And he drank
He cursed and he fooled around
But when the women would shout:

(coro)
Come on, rock me Amadeus
Amadeus, Amadeus, Amadeus,
Amadeus, Amadeus, Amadeus,
Oh oh oh Amadeus.

(...)

Wednesday, January 25, 2006

Nostalgia AM - pt.2



Nostalgias AM - pt.2

Ironia das ironias, a recriação da Febre de Sábado à Noite de que falei no post anterior vai ser transmitida em directo pela RTP. Se já era estranho que apesar de ser igualmente realizada num sábado não o seria de manhã mas sim à noite, mais bizarro se torna quando se sabe que é emitida apenas na TV. É que as rádios vão estar ocupadas tarde e noite com o grande derby futebolístico e por tal alhearam-se completamente a um marco da história da própria rádio, sangue do seu sangue. E quando a própria rádio ignora os seus próprios mitos é caso para dizer que "TV saved the radio star".

Também tinha falado da minha devoção infantil-juvenil pelos Parodiantes de Lisboa. Após a minha evocação poucos dias depois o último dos irmãos Andrade vivo, Ruy Andrade faleceu. A minha homenagens a um homem que era dos mais antigos produtores de rádio em Portugal e que marcou indiscutívelmente o humor radialista.

Que diabo, a saudosa rádio está mesmo a perecer...

Friday, January 13, 2006

Nostalgia AM





Nostalgia AM

Quando na RTP ouvi Júlio Isidro anunciar que ia editar um triplo CD e igualmente fazer uma emissão comemorativa e alusiva aos 25 anos da "Febre de Sábado de Manhã" confesso que quase me vinha uma lágrima ao olho. Apesar de já só ter poucas memórias dos directos do Nimas, ainda me recordo vagamente do frenesim, dos jogos e loucos passatempos dessas emissões.

É com extrema saudade que me lembro do rádio na cozinha que coloria o ar da casa, de manhã até ao princípio da noite nesses idos anos. A RDP - Radio Comercial em AM era a estação sintonizada e passei grande parte da minha infância a ouvir os programas dessa emissora. Só mais tarde, já numa época mais FM se mudou cá por casa para a Renascença numa altura que António Sala e Olga Cardoso eram líderes do éter, mas isso são outras estórias e é já outra época. Hoje em dia, já nem rádio há na cozinha e foi a TV que se "camuflou" de rádio.

Apesar de o humor dos Parodiantes de Lisboa hoje em dia ser para mim demasiado insonso não tenho vergonha nenhuma em confessar que era talvez o programa dos tempos da rádio que mais gostava. Adorava estar em companhia do Patilhas e Ventóinha nos meus almoços mal chegasse da escola. E além do seminal "Graça com Todos" se fosse possível ouvia os outros programas dos irmãos Andrade como o "Piadinhas & Torradinhas".

Só mais tarde com o Pão com Manteiga de entre outros dos célebres Carlos Cruz e Mário Zambujal é que descobri um humor com que me identifico mais hoje. Era um programa estranho de um humor sem nexo mas a verdade é que me fascinava todo aquele absurdo.

E há sempre o mítico "Quando o Telefone Toca" com o habitual "posso dizer a frase?" ou o "já foi pedida" onde desfilavam os hits da época. Mais do que tudo ainda conservo na memória da única vez que tive a coragem de pedir um disquinho. O que tenho alguma vergonha é de dizer mesmo o que pedi...

Mas não tenho na memória momentos mais agradáveis que aqueles domingos quando bem cedo se passava clássicos antigos da rádio, melodias de que nem sabia os nomes mas que harmonizavam com o céu azul e solarengo dessas manhãs e sobretudo com o "dolce faire niente" próprio de uma infância. Agora nos tempos modernos, já liguei algumas vezes o rádio da aparelhagem hi-fi e toco no botão que faz a viagem "intergálatica" do FM para o AM. No meio de um "espaço" agora tão deserto lá se descobre uma das poucas estações que ainda resta na onda curta. Mas já tem o mesmo sabor. Mesmo sendo Domingo, mesmo estando Sol, a música que passa já não é a mesma, o rádio já não é um barato altifalante mono e sobretudo eu não me sinto o mesmo que era.

Trintões e quarentões levarão as suas famílias a uma das salas do Pavilhão Atlântico dia 28 de Janeiro tentando mostrar-lhes os momentos únicos que viveram nesses dias. Mas da mesma forma do que me acontece penso que quando Júlio Isidro tentar reviver o seu mítico programa nunca terá a mesma magia. Esses instantes eram mesmo únicos, irrepetíveis e perdem todo o sabor fora daquele tempo. Há recordações que não se repetem por muito que se queira.

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Nota : O Espectáculo mesmo que não tenha o sabor de outrora tem a nobre causa de contribuir para a Associação das Doenças Raríssimas. O preço são uns modestos 5 euros.
Informações sobre o Evento

Thursday, January 05, 2006

Popozão + Federline





Olha o nível!

Após algumas tristezas com que começamos o ano e de que já falei anteriormente, lembremo-nos que temos sempre a música para desafogar as nossas mágoas. Mas musicalmente o ano também não começa lá muito auspicioso. Dia 1 de Janeiro foi o dia em que Kevin Federline, o bailarino que se casou com Britney Spears se estreou a sério no mundo da música mesmo apesar de ainda não ter conseguido arranjar um contrato numa editora.

Para quem dizia musicalmente mal de Britney após ouvirem Federline no seu single de apresentação vão achar que Britney até é o menor dos males. O bailarino lançou para supresa de todos uma canção baseada em ritmos de funk brasileiro das favelas. Para quem não sabe que estilo é este, talvez se lembrem dos Bonde do Tigrão, famosos por um dos plágios mais descarados da História em que roubam completamente a "malha" de Headhunter dos Front242. Musicalmente este estilo é composto de batidas funk muito simples e quase sempre com letras machistas / sexuais que roçam o mau gosto e que faz lembrar um género de Kuduro brasileiro.

E se já houve DJ's e produtores que tentaram tornar o Funk de favela como um objecto musical de culto (Favela Chic por ex) Kevin pretende é mesmo torná-lo popular. Popozão é nome do single de estreia e signfica na gíria das favelas "cú grande" ou numa linguagem mais abrasileirada "bunda grande". Ora o título não engana. A música em si é pobre limitando-se quase só pelos ritmos básicos do funk. A letra do qual transcrevo esta parte fala por si:

Bring your ass on the floor and move it real fast
I wanna see your kitty and a little bit of titty

Feder arranha mesmo uma frase em Português "Gatinha sai do chão, Vai descendo o popozão". Ora está visto que Federline não tem sequer talento para compôr uma melhor na sua estreia até porque na verdade nem sequer deveria conhecer estas sonoridades se não lhes tivessem sido apresentadas pelo seu produtor brasileiro. E é claro que ficamos também então à espera que Mr. Spears lance depois um teledisco a condizer, tendo os mesmos condimentos de qualquer teledisco americano de Hip-Hop/Rap, ou seja muitas gajas (popuzudas) a abanarem-se. Nada mais básico e directo para cativar o mercado.

O curioso é que esta tentativa medíocre de Federline pode trazer a esta sonoridade uma atenção nunca vista e muito mais gente pode pegar nesta deixa. Será que após o Reagaetton teremos no próximo verão o funk das favelas como música dos tops musicais?

Música para escutar aqui:
Tirar antes que despareça #1
Tirar antes que despareça #2
Tirar antes que despareça #3

Página oficial do Single

Tuesday, December 20, 2005

iTunes e TV





iTunes e a Evolução nos Contéudos Digitais

Apesar do sucesso e moda que são os iPods não sou adeptos deles. São bonitos estéticamente sim, mas tecnicamente acho que há muito melhores produtos e soluções quanto à qualidade de som, funcionalidades e mesmo na duração da bateria. Os recentes problemas com os visores do Nano e propensão aos riscos confirmaram o que sempre tinha pensado, que a sua concepção é pouco adequada ao uso quotidiano. E o preço bem, já se sabe que é exagerado em relação ás suas funcionalidades. Paga-se a marca, paga-se o estilo.

Se não nutro simpatia pelo iPod quanto à loja virtual iTunes admiro-a bastante. E este post tem mesmo o objectivo de constatar a importância que o iTunes está a ter na evolução do comércio digital de contéudos multimédia. Se numa primeira fase o iTunes foi um sucesso como loja de música digital assiste-se agora a uma nova era. Agora que também o iPod visualiza vídeos (algo que já acontecia noutros leitores há muito) a Apple dá um passo de gigante ao ter já disponível conteúdos TV da NBC, ABC, Disney, Sci-Fi e muitos outras importantes cadeias TV. Isto permite a que qualquer um de nós possa por mais ou menos 2 dólares descarregar e ver no PC ou num iPod séries como Perdidos, Donas de Casa Desesperadas, Jay Leno e tantos outros programas poucas horas depois de terem sido emitidas no respectivo canal. Igualmente qualquer pessoa pode agora ver episódios que perdeu e mesmo poder criar um DVD com toda uma série antes de ser editado.

Penso que mais significativo de que poder ver estes contéudos em qualquer iPod e em qualquer lado, o mais importante é mesmo avaliar o facto destes estarem efectivamente disponíveis digitalmente para venda. E o que isto implica? Primeiro é de que as editoras ao distribuir digitalmente contéudos usualmente editados em DVD poderem diminuir no custos de fabrico, embalagem e distribuição de DVD's e conseguinte aumentando os lucros. Outra é a de tentar diminuir a pirataria ao disponibilizar legalmente e a custo reduzido episódios que são usual objecto de procura nos p2p mesmo logo após a sua emissão em tv. Ainda há o facto de poderem agora arriscar na edição de contéudos sem perder mais do que o custo da sua transferência para formato digital. Isto poderá levar a que séries menos populares que eram mantidas na gaveta por temerem que a edição física não compensasse virem finalmente a ser disponibilizadas.

Agora que os centros digitais de sala começam a surgir mesmo que a altos preços começa-se a dislumbrar com mais clareza o futuro dos contéudos digitais. Mas ainda há bastantes incertezas e dúvidas. Tudo ainda depende muito de várias jogadas como o da Microsoft que só agora se aventura com a MTV no lançamento de uma loja online chamado Urge. Também resta saber como uma consola de 3ª geração como a Xbox e o Windows XP Media se integrarão com o Urge. É bom que a Microsoft saiba criar uma sinergia tal como a Apple a criou entre o ITunes e o iPod. Mas a grande pergunta será saber se a Microsoft não chega demasiado tarde ao mercado tal como tarde se apercebeu da importância da Internet. Por agora a iTunes e mesmo com concorrência como o Napster é líder inconstestado. E qual será o próximo passo da Apple? Eu arrisco um. Um centro digital Apple para o nosso lar. Aceitam-se apostas...

Monday, December 12, 2005

Tino - Por Primera Vez





Capas Kitsch

Não é preciso grandes comentários. A Capa diz tudo. É certamente uma das capas mais kitsch de sempre. Podem ver mais exemplos aqui

Wednesday, September 21, 2005

Tó Maria Vinhas - O Passarinho




Amigos do Piu Piu

(1981 - Rádio Triunfo [RT 51-6])

Este blog sabe-se lá porquê, sente uma afinidade com este disco ;)
Por onde andas tu Tó?

Wednesday, September 14, 2005

Old Bond Jeans - Motocross Club



Old Bond Jeans - Motocross Club (7")

Trago desta vez um single promocional não naquele plástico fino e fléxivel como os que eram distribuídos pelas Selecçoes do Reader's Digest mas este verdadeiramente em vinil. A disco promovia as marcas Old Bond Jeans e a Motocross Club. Penso que eram ambas do mesmo fabricante e certamente já não existem ou foram reconvertidas noutras marcas. Fiquei encantado quando descobri este single e vi quem eram os autores das duas músicas. Não eram nada mais que autoria de Rámon Galarza (celebrizado pelos Idolos) e Shegundo Galarza (pai de Rámon, falecido em 2003) e que orquestrava também as duas músicas.

Ora, diverti-me imenso já que me recordava vagamente das música da Old Bond e dois spots televisivos em si. A capa aliás, apresenta fotogramas dos respectivos anúncios.

O Lado A - Old Bond Jeans chama-se Disco Sound e é curioso porque apesar da palavra Disco os instrumentos e a melodia em si vão buscar mais inspiração aos anos 60 pontuando o psicadelismo e solos de guitarra. Há o uso de um Vocoder num sumido "Old Bond". Esta música animada tem como autor é Rámon Galarza com arranjos do pai.

Extracto da letra "Liberdade de viver. Alegria de sentir. A certeza de ter. A vontade de vestir. Jeans, Jeans, Jeans, Old Bond Jeans"

O outro lado, dedicado ao Motocross Club é mais calmo, mais clássico, tornado a letra (que é cantada por uma voz feminina) mais saliente. O tema é muito repetitivo. Autoria de Shegundo Galarza.

Extracto da letra "Camisas, camisetes. Camisas e Camisetes Motocross Club. Motocross Club. Viver o dia a dia com simplicidade e alegria. Camisas, camisetes. Camisas e Camisetes Motocross Club. A forma de bem vestir..." Motorcross Club é cantada por uma voz masculina igualmente suave.

Nos tempos que correm estas letras são um delírio kitsch! :D

O Single não tem menção à editora nem a indicação do ano. Somente apresenta a autoria e a label SG 501.

Sobre os autores:
Segundo (ou Shegundo como ficou conhecido) Galarza era basco e foi solista, maestro, compositor, fez arranjos, esteve ligado à RTP e compôs bandas sonoras e jingles publicitários. Trabalhou com Max, Tony de Matos, Lara Li, José Cid, Paulo de Carvalho, Tozé Brito, Marco Paulo, Carlos Paião e com mais meio mundo artístico nacional. Fica também marcado pela sua contribuição em canções do Eurofestival. De realçar a curiosa ligação entre o maestro e o João Manuel Vieira (Ena Pá 2000) no trabalho "Corações de Atum".

O seu filho Rámon Galarza, também fez da música a sua profissão e ficou celébre como Júri nos Ídolos da SIC. No entanto tem um largo historial musical. Baterista nos anos 70, participou no conceptual disco de José Cid "10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte", tendo sido baterista nas Doce, de José Afonso e Rui Veloso. Hoje em dia é produtor e tem o seu estúdio TchaTchaTcha.

Nota Ainda continuo a ver a melhor forma de colocar samples online. Visitem este post mais tarde.