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Monday, June 19, 2006

Roughnecks - Starship Troopers



Buuuugs!



Quem sempre venerou a faceta mais bélica de Aliens (James Cameron) pode ter ficado desgostoso por faltar uma certa "caça aos bichos" nos outros filmes da saga. De alguma forma o universo do filme Starship Troopers de Paul Verhoeven pode ser considerado como uma espécie de concretização desse desejo de muita carnificina alienígena e de muitos marines massacrados como se fossem "carne para canhão". Se isto até pode ser um deleite para certos fãs de Aliens, o filme de Verhoeven em si, foi sim bastante criticado pelos adeptos do livro original Starship Troopers de Robert A.Heinlein. Sucede que além de "adulterar" as personagens originais da novela, muita da tecnologia quotidiana como armaduras e robôs de combate foi deixada de fora no filme (ao que se sabe por razões económicas e de produção). Mas haverá na verdade alguma novela que resista a uma adaptação de Hollywood? Poucos, muitos poucos e o filme Starship Troopers não é um deles.



Roughnecks - The Starship Troopers, uma série de animação 3D televisiva aproveitando o franchising está a meio caminho do filme e das novelas. Se por um lado continua a aproveitar os personagens e a história do filme, ao menos consegue ter a "liberdade" produtiva de ir mais longe na materialização do universo de Heinlein. Nesta série já são apresentadas as armaduras mecanizadas, os robots de combates, o abundante uso de armas nucleares, outras raças e muitos outros elementos que o torna mais fiel ao livro. Igualmente os soldados da Infantaria são muito mais resistentes e não morrem tão facilmente como no filme. Pela negativa, e com muita pena, a sempre interessante (e polémica) faceta satírica e política do filme (e crucialmente basilar nos livros) foi removida.


Hey! Já não vi naves parecidas em qualquer lado?

Roughnecks apesar de não deslumbrar e de não ter sido um marco na animação computorizada foi no entanto um ambicioso projecto no género que tenta concorrer num sector onde a animação 3D televisiva sempre foi caracterizada pela hegemonia da produtora Mainframe (Reboot, Transformers BeastWars, Spider-Man). E como tantas produções televisivas foi mais uma das séries que nunca foi realmente completada. Do plano original quatro episódios da parte final da história (estavam previstos 40) nunca foram concluídos. A série foi uma produção problemática ($!) e a sua execução foi até mesmo feita com recurso a diferentes empresas CGI. Para cumprir calendário televisivo foi mesmo remontado material usado criando "novos" episódios.



Após alguma insistência de fãs a Sony/Columbia lançou tímidamente DVD's em separado de quatro campanhas militares dos Roughnecks (5 episódios por campanha/DVD). Ainda lançou um DVD suplementar com o material "inacabado/remontado" e um dos episódios finais. Satisfeita com o sucesso da vendas decidiu depois lançar finalmente (no ano passado) todo o material numa caixa económica mas luxuosa mas comprimida em quatros DVD's (cada um com duas campanhas). Mas como não há bela sem senão sacrificou-se os comentários áudio que anteriormente estavam presentes nos DVD's "avulso" já que não havia espaço para mais.



Em Portugal a série foi exibida já dobrada (na RTP ao que me lembro) e a Lusomundo lançou ao que sei as quatro campanhas DVD's editadas lá fora mas não o DVD suplementar ao que parece. Se a caixa vai ainda ter edição nacional isso já não sei mas pensando no tempo que já passou desde o lançamento original não o creio. É pena e lá se tem recorrer ao "import". Isto para se ter mais de 700 minutos de muito barbecue de "aranha", numa série que agradou aos adeptos de Starship Troopers que sejam gregos ou troianos ou por outras palavras da versão livro ou filme. Recomendado a fãs e a xenófobos intergalácticos...

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Wednesday, May 03, 2006

Jasper Morello





Jasper Morello

Apesar de ter ficado na altura contente com a atribuição do Oscar de melhor Longa-Metragem de Animação ao último Wallace & Grommit também fiquei com pena que "The Mysterious Geographic Explorations of Jasper Morello" não tenha arrecadado o mesmo galardão mas em Curta-Metragem Animada.



"Jasper Morello", uma animação australiana de Anthony Lucas é passada num negro e industrial mundo victoriano onde naves movidas a vapor cruzam os céus. É a história do navegador Jasper Morello que cometeu um grave erro no passado e a quem é dada a oportunidade de se redimir embarcando numa nova aventura pelos estranhos céus de Ghotia. Só que o receio de cometer de novo o mesmo fatal erro vai persegui-lo nesta viagem...



Para quem gosta como eu do imaginário de Tim Burton mas já o acha um universo semi-esgotado e repetitivo pode descobrir nesta animação uma boa alternativa com novos horizontes. Utilizando um misto de técnicas de animação, desde a convencional fotografia ao moderno 3D computorizado contrastam com o uso de silhuetas estilizadas que parecem saidas do expressionismo alemão do princípio do século passado. A história, essa parece nascida de um recanto mais sombrio do cérebro de Júlio Verne ou tirada de um dos universos perdidos de Schuiten & Peeters.



A animação pode ser adquirida num DVD multi-regiões, onde além da curta metragem de quase meia hora, tem um documentário, comentários audio e ainda outras curtas metragens do mesmo autor (entre mais outros pequenos extras).



No muito bem conseguido site encontram-se wallpapers, o trailer e a possibilidade de encomendar o DVD. Fica a sugestão.

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Tuesday, February 07, 2006

€ DVD @ PT





I Love Portugal

É bom viver em Portugal. Ganha-se menos mas paga-se mais. Dá vontade de fazer as malas. Com estes preços e margem de lucro percebo porque se diz que as vendas de dvd's em Portugal vão bem. E também percebo porque as editoras e as lojas de DVD online espanholas nos olhem como mercado e nos ofereçam já condições e portes específicos para o nosso país. Chamem-lhes parvos...

Wednesday, February 01, 2006

Steamboy





Steamboy

Steamboy de 2004 era o aguardado novo projecto de Katsuhiro Ôtomo após a realização do objecto de culto que é Akira (1988). No entanto a sua estreia não foi um sucesso e passou muito despercebido nas salas de cinema. Em Portugal pelo que sei nem estreou. A sua temática provavelmente desapontou muitos que desejavam mais uma obra Cyberpunk como o anterior filme ou que fosse na onda de Matrix ou Ghost In The Shell. Mas desta vez Otomo tinha decidido enveredar por uma temática que começa a ganhar o seu canto na Ficção Científica, o Steampunk.



Por Steampunk, entende-se normalmente a exploração de realidades alternativas da Época Victoriana e princípio do Século XX mas onde o poder da tecnologia chegou precocemente e muitos mundos como os normalmente descritos por autores como Julio Verne e H.G Wells são efectivamente realidade. São estranhas visões em que o poder do vapor alimenta poderosos submarinos, navios, aviões e até naves espaciais. Alguma vezes mesmo os computadores já são aí uma realidade. Exemplos recentes mais conhecidos destes mundos são A Liga dos Extraordinários Cavalheiros (vertente mais victoriana) criado por Alan Moore, Wild Wild West (que aborda uma visão mais Western) ou as Cidades Obscuras (numa abordagem mais Arte Nova e Art Deco) de Schuiten e Peeters.



O filme centra-se na história de um rapaz, Ray Steam, seu pai e avô em plena Inglaterra victoriana. A família Steam são puros génios na manipulação do poder do vapor e escondem segredos e ideias que todos desejam ter. É uma bela fábula e ensaio sobre o uso que se dá à ciência. Aborda a ética e o preço que é necessário pagar para que a ciência avance e o modo como essas descobertas são usadas em benefício da Humanidade.



Este incompreendido filme que demorou uma década a ser realizado foi o mais caro feito no Japão em animação. Recorre a técnicas animação 3D mas apresenta um look tradicional como nos habitou por exemplo Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro, a Princesa Mononake). Com cenários encantadores que recriam por ex a Primeira Grande Exibição de Londres é um filme delicioso de se ver e uma bela reflexão moral. O argumento é algo linear e pouco profundo reconheça-se, e a forma como grande parte da história é contada no final é desapontante. No entanto como já disse a mensagem é forte e o imaginário visual do filme é o melhor de tudo.



Portugal já conhece uma edição DVD deste filme mas infelizmente não teve direito a uma versão de colecionador com um segundo disco de Extras. Recomenda-se então a importação já que duvido que venhamos doutra forma a conseguir uma bela edição como a versão americana.

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Thursday, January 12, 2006

Guerras Multimedia





As guerras Multimedia

Finalizado o CES 2006 - International Consumer Electronics Show e pelas notícias que vão surgindo os próximos tempos vão ser confusos quanto a tecnologia e plataformas multimedia.

A começar pelo sucessor do DVD a procura de um formato único parece irremediavelmente perdida. Produtoras cinematográficas como a FOX e Sony planeiam já uma primeira vaga de 40 filmes para o formato BluRay. Por outro lado a Paramount Pictures, a Universal Studios, a HBO Video e a New Line Entertainment vão lançar quase 200 títulos para o HD-DVD até ao fim de 2006 e uns 50 como primeira aposta até Maio. A Warner é que prefere jogar pelo seguro não descriminando os utilizadores e aposta nos dois formatos.

Quanto a leitores tudo muito confuso nos lançamentos. Em Março os primeiros modelos HD-DVD para consumo devem estar disponíveis por parte da Toshiba. Quanto a lancamentos de leitores de BlueRay para sala só mesmo após a Primavera, apesar de já haver algumas experiências comerciais no Japão. Quanto a preços estima-se que os leitores HD-DVD sejam pelo menos metade (500 dólares) do que custam os BlueRay. No campo informático a Microsoft aliou-se ao HD-DVD e as drives para PC não devem também tardar até porque a Pionner diz que no final de Janeiro já terá drives BluRay para PC's, isto se os problemas com o seu sistema copyright não complicarem. A Apple preferiu apoiar o BluRay. Já a HP que preferia endorsar os dois formatos acabou por desistir do BluRay após certas sugestões que tinha para o formato serem recusadas. Nas consolas a tão esperada Sony Playstation 3 irá naturalmente usar o BluRay podendo ser um enorme trunfo para promover o formato mas até nisso não se sabe se haverá alguma limitação para ler filmes já que uma PS3 a metade do preço dos leitores BluRay de mesa poderia abalar a venda destes últimos.
ADENDA 1: A Xbox360 da Microsoft vai disponibilizar um leitor externo HD-DVD.
ADENDA 2: Parece afinal vai sair um leitor BluRay coincidente com o lançamento do 1º leitor da HD-DVD.

É difícil adivinhar um vencedor nesta renhida guerra onde até a questão do nome e logo pode ser decisivo. O nome HD-DVD é uma feliz escolha já que a sigla DVD é familiar e HD começa a ser veiculado com as vendas de novos televisores "HD Ready". O nome BluRay é algo que vai dificilmente ainda vai ser assimilado pelas massas.

Entretanto em relação a centros digitais de entretenimento para o lar a Intel e a AOL anunciaram um acordo de colaboração para o desenvolvimento da plataforma multimedia da Intel designada por ViiV.

Já no comércio online musical a HP desistiu da aliança com a Apple deixando de integrar nos seus PC's o iTunes, líder incontestado nesta área, em favor do RealNetworks Rapsodhy. Igualmente deixa de lado a venda de uma versão especial do iPod.

E quanto á venda de contéudos TV online para depois serem vistos num iPod, num PC ou outro aparelho portátil começam-se a notar insatisfações seja pelos limites de tempo para ter os programas ou incompatibilidades em ver num ou outro leitor multimedia portatil. Um interessante artigo pode ser lido aqui.

E agora já nestes dias de Janeiro vem aí as novidades do MacWorld Expo quanto aos primeiros Mac com coração Intel e igualmente se adivinham novidades em relação ao multimedia por parte da Apple. Como se vê estes tempos anda tudo muito volátil, confuso e incerto.

NOTA Apesar de ter a data de dia 12 este post é de uns 2 dias atrás porque por engano apaguei este post. Felizmente tinha ainda o texto original em txt.

Tuesday, December 20, 2005

iTunes e TV





iTunes e a Evolução nos Contéudos Digitais

Apesar do sucesso e moda que são os iPods não sou adeptos deles. São bonitos estéticamente sim, mas tecnicamente acho que há muito melhores produtos e soluções quanto à qualidade de som, funcionalidades e mesmo na duração da bateria. Os recentes problemas com os visores do Nano e propensão aos riscos confirmaram o que sempre tinha pensado, que a sua concepção é pouco adequada ao uso quotidiano. E o preço bem, já se sabe que é exagerado em relação ás suas funcionalidades. Paga-se a marca, paga-se o estilo.

Se não nutro simpatia pelo iPod quanto à loja virtual iTunes admiro-a bastante. E este post tem mesmo o objectivo de constatar a importância que o iTunes está a ter na evolução do comércio digital de contéudos multimédia. Se numa primeira fase o iTunes foi um sucesso como loja de música digital assiste-se agora a uma nova era. Agora que também o iPod visualiza vídeos (algo que já acontecia noutros leitores há muito) a Apple dá um passo de gigante ao ter já disponível conteúdos TV da NBC, ABC, Disney, Sci-Fi e muitos outras importantes cadeias TV. Isto permite a que qualquer um de nós possa por mais ou menos 2 dólares descarregar e ver no PC ou num iPod séries como Perdidos, Donas de Casa Desesperadas, Jay Leno e tantos outros programas poucas horas depois de terem sido emitidas no respectivo canal. Igualmente qualquer pessoa pode agora ver episódios que perdeu e mesmo poder criar um DVD com toda uma série antes de ser editado.

Penso que mais significativo de que poder ver estes contéudos em qualquer iPod e em qualquer lado, o mais importante é mesmo avaliar o facto destes estarem efectivamente disponíveis digitalmente para venda. E o que isto implica? Primeiro é de que as editoras ao distribuir digitalmente contéudos usualmente editados em DVD poderem diminuir no custos de fabrico, embalagem e distribuição de DVD's e conseguinte aumentando os lucros. Outra é a de tentar diminuir a pirataria ao disponibilizar legalmente e a custo reduzido episódios que são usual objecto de procura nos p2p mesmo logo após a sua emissão em tv. Ainda há o facto de poderem agora arriscar na edição de contéudos sem perder mais do que o custo da sua transferência para formato digital. Isto poderá levar a que séries menos populares que eram mantidas na gaveta por temerem que a edição física não compensasse virem finalmente a ser disponibilizadas.

Agora que os centros digitais de sala começam a surgir mesmo que a altos preços começa-se a dislumbrar com mais clareza o futuro dos contéudos digitais. Mas ainda há bastantes incertezas e dúvidas. Tudo ainda depende muito de várias jogadas como o da Microsoft que só agora se aventura com a MTV no lançamento de uma loja online chamado Urge. Também resta saber como uma consola de 3ª geração como a Xbox e o Windows XP Media se integrarão com o Urge. É bom que a Microsoft saiba criar uma sinergia tal como a Apple a criou entre o ITunes e o iPod. Mas a grande pergunta será saber se a Microsoft não chega demasiado tarde ao mercado tal como tarde se apercebeu da importância da Internet. Por agora a iTunes e mesmo com concorrência como o Napster é líder inconstestado. E qual será o próximo passo da Apple? Eu arrisco um. Um centro digital Apple para o nosso lar. Aceitam-se apostas...

Wednesday, December 14, 2005

Remakes





Remakes

Corre o rumor que o campeão de Wrestling da WWE John Cena irá protagonizar um remake de "Predador" originalmente interpretado por Arnold Schwarzenegger em 1987. Apesar de este rumor ter sido já desmentido este boato continua a ser bastante comentado devido à sua particularidade. É que num remake de um filme tão "recente" como este, é natural que muita gente pense nisto como desmedida ganância por parte da FOX, a detentora dos direitos. Se noutros casos os remakes ocorrem normalmente em filmes dos anos 50, 60 e 70 e pode ser "legítimo" que se refresque filmes esquecidos já com um filme dos fins dos anos 80 torce-se o nariz. Mas a verdade é que a FOX sempre rentabilizou ao máximo o lucro dos seus produtos. Por ex. com a Saga "Aliens" foram feitas demasiados sequelas (e até um crossover - Aliens vs Predator) do filme, comics, merchandising e até re-reedicões de caixas de DVD. Demasiada coisa, ofendendo mesmo os fãs mais leais. Sendo assim e tratando-se da FOX há rumores que podem bem ser verdade.

Mas este rumor faz-nos ter consciência sobre a mediocridade creativa do actual no cinema americano. As indústrias do cinema parecem ter chegado a um ponto que deixaram quase de apostar em argumentos novos preferindo dedicarem-se a dar um look mais actual a sucessos de bilheteira passados. Estes tipo de remakes são claramente destinados a salas multiplex e público jovem. Ora se agrada certamente aos mais novos verem estes filmes com um visual mais actual, estes remakes afastam os mais velhos das salas cientes que ao verem estes novos remakes só vão preferir ainda mais o original. Se anos atrás até podiam ter curiosidade em ver como ficavam estes remakes, agora e após tanta abundância de remakes mediocres tais espectadores já tem desdém perante estes filmes.

No entanto até mesmo realizadores consagrados tem a sua quota de culpa nestas remake-manias. Tim Burton refez "O Planeta dos Macacos" e mesmo "A Fábrica de Chocolate" já tinha tido anteriormente adaptação. Polanski realizou mais um "Oliver Twist". Jackson um "King Kong". Por isso até há bons remakes naturamente. Mas 90% deles são uma ofensa ao original.
Fico muito triste quanto mexem em filmes intocáveis como "Solaris" de Tarkovski, "Psycho" do Hitchcock, "A Pantera cor de Rosa" de Blake Edwards, "O Massacre do Texas" de Tobe Hooper e também em já clássicos de Carpenter como "Assalto à 13ª Esquadra" e "O Nevoeiro". Mas nos próximos tempos vou ficar mais triste ainda. Filmes culto como "The Cabinet of Dr. Caligari" ou "Tron" tem remake á vista. E filmes memoráveis como "Piranha", "Flash Gordon" e até mesmo "Robocop" igualmente estão nos planos dos grandes estúdios.

Por vezes penso que a indústria americana está deliberadamente a tentar revitalizar as salas com gente nova e filmes pipoca promovendo a rápida rotatividade dos filmes nas salas. Por outro lado tenta colocar os mais velhos e nostálgicos cinéfilos no conforto do seu lar disfrutando de ediçoes especiais (e mais caras) de DVD's. Com esta política só pode ser mesmo esta a intenção e uma forma que encontrou para o lucro fácil para dois mercados distintos mas complementares.

Monday, December 12, 2005

HDTV @ PT





Alta Indefinição

A motivação para ter uma TV de ecrã largo em nossas casas é cada vez maior. A oferta de ecrãs 16:9 sejam LCD, Plasma e de Retroprojecção abundam nas lojas e cada vez com preços mais convidativos. A Fnac até já dá enfâse ao modelos que são HD Ready ou seja compatíveis com alta definição via HDTV preparando o consumidor para o vindouro formato televisivo. As novas consolas como a Xbox360, a PSP portátil e a futura PS3 já funcionam nativamente como jogos panorâmicos. E até já se vê mais portáteis PC e Mac widescreen do que 4:3. Enfim, tudo aponta que a nova forma de ver os contéudos sejam em que plataforma for é numa visão panorâmica.

A TV de Alta Definição teve bastantes lutas de formatos e fracassos no seu início. A Europa e sobretudo alguns paises nórdicos foram pioneiros a apostar em contéudos em formato HD-MAC muitos anos atrás mas por razões técnicas nunca foi popular entre os operadores televisivos. O Japão teve o seu formato MUSE. Agora o HDTV parece ser a norma a seguir e o Japão e a Europa convertem-se a ele. Na América do Norte operadores como a ABC,NBC, Fox e outras emissoras já tem emissões e contéudos HDTV e populares séries como Lost e Alias são produzidas em alta definição. E até programas mais do dia-a-dia como o talk-show de Jay Leno também já o é.


Jay Leno em HDTV é uma realidade de há muito

No entanto cá só podemos ficar preocupados de como se prepara a transição para o 16:9. A forma como as estações nacionais tratam os contéudos widescreen já disponiveis é censurável. Quando se vê constantemente estações como a SIC e a TVI a exibirem filmes deslumbrantes (como por ex o Senhor do Aneis) em formato Pan & Scan (palavra técnica e elegante para "filmes mutilados") só podemos ficar desapontados. A RTP ocasionamente ainda respeita o formato original de alguns bons filmes e contribuí normalmente para o projecto financiado pela comunidade europeia Pal Plus (que é uma espécie de meia alta definição e é já um projecto falhado) onde aliás tambem a TVI já exibiu alguma (mas pouca) coisa neste formato. Igualmente a estação de serviço público estatal esforça-se em apresentar contéudos nacionais em 16:9 o que é de aplaudir (concertos como o de Madredeus no CCB, telenovelas juvenis como O Diário de Sofia e alguns documentários são bons exemplos). No entanto a falta de interesse e de respeito pelo 16:9 alarga-se aos canais mais modestos. A equipa técnica da Sic Radical demorou a apercebe-se que andava a exibir séries Anime e comédias BBC no formato errado distorcendo proporcionalmente a visão de tais contéudos.

Se já agora há desleixo a transmitir o que há e pouco interesse em criar apetite ao espectador para o ecrã largo o que dizer quanto ao surgimento de canais realmente de Alta Definição? Por enquanto nada ou muito pouco no horizonte. Desde 1998 que se começou nos jornais nacionais a falar sobre a milagrosa Televisão Digital Terrestre que iria mudar as nossas TV's, no entanto a crise económica levou a um desinteresse que provocou adiamentos e incertezas. De avanços efectivos quase nada porque parece que ficou tudo em águas de bacalhau. 2002 era a data de inicío das emissões nacionais. Onde andam elas então? Não andam. A Anacom em 2003 até revogou a licença à única interessada que deu o passo de obter a licença que foi o consórcio PTDP (que integrava a RTP e SIC).

Se por via terrestre (antenas convencionais) não há TV de alta definção, pelo menos por cabo e só somente para os clientes Cabovisão está acessível o canal europeu HD-1 que emite 24 horas por dia. Isto pagando 300 euros (?!?!) por uma setup box e mais 5 por mês. Mas tendo muita gente pago bastante pelo seu televisor topo de gama, bem que pode ser mais uma forma de rentabilizar o investimento. Também se pode aceder por satélite a emissões pagas da HD-1. A inglesa Sky prepara-se igualmente para em 2006 lançar as suas emissões HDTV com uma larga oferta.

Desta forma, no nosso triste Portugal os televisores 16:9 servem tão só e somente para ver filmes DVD e jogar jogos panorâmicos para quem já pagou bem para ter consolas de ultima geração. A Televisão Digital Terreste é no momento uma miragem. E as emissões nacionais PalPlus são escassas. E mesmo o que podia ser emitido em baixa resolução mas com ecrã panoramico como por ex. os filmes não o são. E assim é ver os lojistas a terem de se escudar em demonstrações de filmes/DVD Demos para venderem os televisores panorâmicos. Outros vendedores realmente inconscientes exibem as regulares emissoes 4:3 num forçado 16:9, ainda por mais com televisores de cores mal reguladas e sinal de antena medíocre.

Em 1998 o DN publicava o título. "Revolução Digital chega a Portugal. Em 2001 os portugueses vão ter de comprar novos aparelhos de TV. O Governo vai avançar rumo a uma nova era televisiva." Agora passados quase 8 anos resta-nos rir desalmadamente com esta notícia.

Saturday, December 03, 2005

Aeon Flux - Integral em DVD





Aeon Flux - Integral em DVD

Aeon Flux é um OVNI na animação televisiva. Criada a pedido da MTV a Peter Cheung (que mais recentemente realizou um dos episódios de Animatrix) Aeon Flux é um objecto avantgarde (até mesmo para a MTV), bizarro, quase conceptual e criou um pequeno mas fiel culto por parte dos fãs. Esta série animada é a enésima adaptação para filme de BD's, desenhos animados ou video-jogos pelos estúdios de Hollywood sempre à procura de sacar dinheiro fácil nas gerações mais jovens.

Os fãs (eu incluído) naturalmente não esperam ou esperavam muito do filme. Sem intervenção directa do criador original logo se formou imediatamente um certo cepticismo. E não se pode dizer que quando foi anunciada a loira sul-africana Charlize Theron para o papel de Aeon os fãs se tenham animado. Haveria melhores escolhas para uma personagem muito peculiar em termos estéticos (Famke Janssen foi muitas vezes citada como sendo das melhores alternativas). E os receios agravaram-se quando no seu estatuto de estrela Theron se recusou de imediato vestir algo como o apreciado e fetichista fato original caracterizado por um ousado G-String. Depois de adiantamentos na estreia devido a atrasos e percalços nas filmagens como a lesão no pescoço por parte de Theron, finalmente surgiu o filme em inícios de Dezembro. E os 5.5 em 10 no IMDB é um claro indício de como o filme está a ser recebido dando razão ao anterior descontentamento.

Mas há males que vem por bem. Curiosamente esta rentabilização hollywoodesca veio provocar a reedição da série para o mercado doméstico. Originalmente editada em 3 cassetes VHS e tendo só um desses volumes conhecido edição em DVD finalmente é re-editada integralmente toda a série com direito a restauro, muitos extras e supervisão pessoal de Peter Cheung. Assim acaba de vez a especulação na venda do DVD original (esgotadíssimo) a preços exorbitantes no Ebay, as cópias ilegais em DVD transferidas das restantes 2 cassetes em VHS e o desespero dos quantos não conseguiam arranjar tais cobiçados registos (eu ainda adquiri 2 das cassetes oficiais em cassete VHS mas nunca o DVD oficial)

Analisando os conteúdos para satisfação de todos está lá tudo. Episódios remasterizados, o episódio piloto, as chamadas curtas da série, comentários, documentários, galerias, e outros abençoados extras. E até tem legendas em inglês para que qualquer estrangeiro possa possa perceber mais facilmente a complexidade e estranheza dos dialógos. É decerto um prazer natálicio para o mercado americano já que por ex. os ingleses vão ter de esperar mais um bocado pela série. E em Portugal pelo que sei nenhuma edição está anunciada. Mas quem quiser tem mais com que se entreter. A editora de comics Dark Horse editou uma mini-série de 4 comics alusiva ao filme. Igualmente reeditada foi a "graphic novel" The Herodotus File. Esqueça-se o filme (sem data de estreia por cá) e fique-se com o restante merchandising. Ah e não se esqueçam que a banda sonora é fruto do conceituado ex-SPK Graeme Revell. Se o filme decerto não faz juz á série televisiva ao menos que a OST do filme dignifique a pérola que é a OST televisiva de Drew Neumann.

Sunday, September 04, 2005

Spider-Man - The Animated Series (2003)





Spider-Man - The Animated Series (2003)

Alguém se lembra da série de animaçao 3d de nome Reboot exibida na RTP1/RTP2 (e que há-de ser objecto de post próprio) em que um vigilante, o Bob, uma dona de um bar chamada Dot e o seu sobrinho Enzo viviam dentro de um sistema informático e eram aleatóriamente arrancados à força para participarem em variados videojogos? Não? Mas duvido que não se lembre do videoclip dos Dire Straits "Money for Nothing". Sim, sim, com aquela espécie de trabalhadores bucha e estica e o cão com caras quadradonas. Foi um dos primeiros sucessos no uso de animação 3d em videoclips. Ora o que tem em comum o Reboot, o célebre videoclip e a série que lhe vou falar? É que são fruto da criatividade da empresa canadiana Mainframe. Felizmente continua viva e produzindo 3d que vai dignificando tecnicamente o seu uso nas séries animadas.



A nova série Spider-man (designada de "The New Animated Series" ou "2003" para distinção das anteriores) é uma boa ideia da Marvel porque não é um vulgo produto de rentabilização da personagem. Usa uma técnica inovadora no ramo e tem histórias bem construídas. Aliados á Mainframe, aparecem argumentistas como Brian Michael Bendis, antigo argumentista e desenhador indie no seio dos Comics e agora responsável pelo destino de muitos personagens Marvel e realizadores como o Sam Raimi (The Evil Dead, e os Spider-Man, etc.).Esta série pode ser descoberta perdida nas manhãs de Sábado ou Domingo na TVI e foi exibida originalmente na MTV. Felizmente a TVI gosta de rentabilizar o seu espólio e vai repetindo por vezes a série, mas infelizmente são dobradas pelo que perdemos as vozes originais de Ian Ziering (o Zack de Beverly Hills 90120), Neil Patrick Harris (o jovem doutor de MD Doctor House), da cantora Lisa Loeb e do seu próprio mítico criador Stan Lee. Não tenho nada a apontar á dobragem portuguesa mas gosto sempre de apreciar o original. O que torna tão bom em 3d esta série é o uso não de 3d puro mas de uma técnica chamada Cell Shading e que já era utilizada por ex. no suberbo jogo Jet Set Future para Dreamcast (e depois reeditado em X-box). A técnica gráfica consiste em aplicar um aspecto/textura "plana/2d" por cima da animação 3d em si, observem as imagens para melhor compreensão. A movimentaçao e realismo dos gestos das personagens são assombrosos e por vezes parece mesmo estarem reais actores em palco. A direcção é boa, com bons argumentos a não roçarem o rídiculo como é apanágio da Marvel em questão de séries animadas.

Existem somente 13 episódios que já podem ser encontradas no mercado americano/canadiano em DVD e (e respeitando o formato panoramico), mas está anunciada uma nova época do qual nunca mais ouvi falar.Para quem tem uma X-Box existe uma versão do jogo felizmente com o mesmo cell shading. Se puderem, descubram-na.

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