Retiro Espiritual
O piu piu entra aqui e agora num retiro espiritual semi-forçado, semi-voluntário. Se volta, quem sabe? Talvez reencontre o seu zen, talvez se exile noutra dimensão, talvez encarne numa fénix...
Até um dia destes.
O piu piu entra aqui e agora num retiro espiritual semi-forçado, semi-voluntário. Se volta, quem sabe? Talvez reencontre o seu zen, talvez se exile noutra dimensão, talvez encarne numa fénix...
Até um dia destes.
Escrito por
Nuno Barros
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Thursday, August 03, 2006
Etiquetas: desabafos, o meu piu piu

Trifene 200 para dores de "tomate"
De Trifene 200 sempre tive uma imagem negativa. E não a tenho por não ser uma mulher ao qual o produto sempre se quis dirigir apesar de ser um analgésico unisexo convencional. Não há nada de errado com o posicionamento de marketing do produto, bem pelo contrário. Num mercado em há 2 ou 3 analgésicos que dominam e são top reminders à frente de Trifene, um posicionamento estratégico como analgésico feminino aproveitando algumas características do produto (combate de dores menstruais) é muito bem pensado. Mas durante anos e anos neste analgésico notei vários erros comunicacionais por parte de quem gere a imagem do produto.
A farmacêutica Medinfar sempre teve um budget de comunicação elevado, única forma para combater a concorrência. O problema é que sempre lhes faltou algum bom senso para o gerir. Lembro-me de já ter visto em tempos idos anúncios televisivos e spots de rádio desta marca de um gosto duvidoso. Pirosos, fossem para quem fosse. Às vezes pensava se havia mesmo alguma agência de publicidade por trás ou se era tudo concebido pela empresa.
Procurar o endorsamento de uma figura pública feminina com que o público se identifique é excelente ideia para este produto. Que pratique desporto ainda melhor já que se entende a intenção de mostrar Trifene como um produto que leve a uma vivência normal, mesmo em situações mais exigentes como práticas desportivas. Elizabete Jacinto é há anos a aposta da Trifene. Mas penso que haveria melhores opções. Jacinto pratica um desporto viril é certo. Mas seguem as mulheres com atenção Rallies de Todo-o-Terreno? E o Lisboa-Dacar? Muito poucas, as fãs de Jacinto só talvez. Ora decerto que haveria mulheres no mundo do desporto que praticassem uma modalidade com que as mulheres tivessem uma maior paixão.
Agora vem-se a saber que Trifene 200 patrocina a equipa de cheerleaders do S.C.Benfica. Como? Um produto que sempre posicionou como um produto feminino passa agora a patrocinar uma das coisas mais machistas que há no desporto? É que são uma dúzia de raparigas atléticas que tentam excitar com acrobacias nos tempos mortos do jogo um estádio repleto de homens (e os telespectadores da SporTV, outro antro masculino). Ao que parece afinal a Trifene mudou inesperadamente a estratégia comunicacional.
Fui tentar perceber esta "troca-baldroca" e segundo Edite Santos, gestora do produto Trifene 200 "... o nosso apoio é transversal: vamos de Lisboa a Dakar com passagem por Benfica sempre a pensar no bem-estar e na melhoria dos cuidados de saúde dos portugueses, sejam eles adeptos do futebol ou de desportos mais radicais. A viragem para o mundo do futebol representa para a comunicação Trifene 200 uma mensagem que queremos sublinhar que é o facto deste fármaco responder de forma segura e eficaz às necessidades de ambos os sexos". Ah bom! Dantes tão preocupados com as mais "angélicas" das mulheres (não me sai da cabeça aquela vioncelista do anúncio deles) e agora subitamente viram-se para os "machos" que gostam de beber cerveja e cuspiriam com todo o prazer no árbitro. Está bem, e que tal terem feito uma transição de "target" de uma forma menos "radical" e mais suave? É que milhares de portugueses "machos" Trifene 200 sempre foi motivo de risada.
A Pubicidade de Trifene 200 dantes dizia "Porque há coisas que só as mulheres entendem: TRIFENE 200.". E eu digo que há coisas que só a própria Trifene 200 entende.
Escrito por
Nuno Barros
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Monday, July 24, 2006
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Etiquetas: kitsch, publicidade
Documentários: O Estado da Arte
O documentário parecia anos atrás um daqueles objectos que mais tarde ou mais cedo iria desaparecer perante um público cada vez virado para o lazer tanto no cinema como na televisão. Mas graças à massificação da televisão por cabo mundo fora isto não veio a suceder e ganhou lá o seu espaço.
Curioso é ver como os documentários tem ocasionalmente ganho espaço em salas nos últimos anos. Tímidamente começou-se com Microcosmos (1996) e vários documentários de vida natural/estilo Imax como a Marcha dos Pinguins (2005) que foi sucesso de bilheteira. Mas estes sempre pactuaram com o "vazio mental" praticado no cinema americano não sendo mais que puro entretenimento familiar. Mas certamente abriram caminho para outros mais incómodos como os manifestos políticos de Michael Moore que foram igualmente um sucesso. Depois surgiu o divertidos Super Size Me (2004) e Guinness Size Me (2005) abordando hábitos de consumo alimentar. Este ano além do documentário de que falo no post anterior já tinhamos tido "Who Killed The Electric Car" também abordando de certa maneira a ecologia. Além de parecer haver vagas temáticas de documentários há principalmente há agora uma maior aposta em temas mais sensíveis o que poderá significar que os distribuidores tem menos medo em exibir documentários mais ousados.
Isto é bom porque pelo inverso tem se assistido a um decréscimo qualitatitivo dos documentários exibidos em televisão. Aumentou é verdade o número de canais ditos documentais seja de biografias, sobre natureza ou até artes mas infelizemente essa massificação trouxe a "estupidificação" do documentário nos dias de hoje certamente tentando-o cada vez mais torná-lo o mais acessível aos telespectadores. Assim documentários sobre animais passam grande parte pela procura do animal mais venenoso, mais mortal, mais X, mais Y. Documentários históricos são meramente reconstituições de batalhas à "braveheart", à "gladiador" e sem muito sumo informativo. E os bio-documentários tentam quase sempre mostrar a podridão e a queda de alguma estrela. Até canais públicos como o Canal 1 quando passa documentários não foge ao sensacionalismo e oportunismo popular. Recentemente foi a vaga de documentários em torno do Código Davinci quando da estreia do filme. E esta semana dedicou-se a um ciclo de documentários catástrofe em quase prime-time. Uma atitude nobre mas que merecia melhores contéudos. Bons contéudos esses que felizmente vão existindo na 2:. Bombordo, A Alma e a Gente de Hermano Saraiva, o excelente Périplo - Histórias do Mediterrâneo com Miguel Portas entre outros bons programas documentais. Mas até na 2: assistimos a documentários como os da Discovery e National Geographic que piscam o olho a um lazer mais despreocupado.
Portanto podemos por enquanto considerar o documentário como tendo algum futuro como não parecia ter anos atrás. Documentários para "massas" coexistem com documentários mais "elaborados". A industria cinematográfica vai dando algum espaço para os documentários se afirmarem nas salas de cinema. Canais televisivos públicos vão transmitindo as várias espécies de documentários. E em Portugal até temos o previlégio de termos um festival, o DocLisboa (cada vez mais prestigiado apesar da ainda curta vida) dedicados a eles. Sendo assim venham mais "docs". :)
Escrito por
Nuno Barros
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Saturday, July 22, 2006
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Etiquetas: cinema, documentários, tv