

Triângulo J
Henrique Oliveira é daqueles nomes que aparentemente nos parece familiar mas não nos diz nada à primeira vista. Mas se eu disser que foi o guitarrista dos míticos Taxi já esboçamos um sorriso. Não porque nos lembramos exactamente de quem é mas pelas boas memórias que temos da banda. No entanto, acho que é mais importante e justo fazer-lhe o elogio não pela sua faceta musical, mas pela posterior carreira como produtor audio-visual onde eleva a fasquia da qualidade televisiva em Portugal.
A produtora Miragem na qual Henrique Oliveira foi uma peça pilar marcou o panorama televisivo nacional com séries como Claxon e Major Alvega. Sendo séries muito cuidadas em termos de estética, Major Alvega (com Ricardo Carriço) torna-se um case-study pela forma como funde imagens reais e a banda desenhada. Foi mesmo exportada para o mercado internacional e nomeada para um Emmy. A esta série está também curiosamente ligada ao talento de Rui Ricardo, famoso cartonista da Art Vortex (com Esgar Acelerado) e responsáveis pela Superfuzz, publicada semanalmente no Blitz.
Já com Hop!, a nova encarnação da extinta Miragem, Henrique Oliveira produz principalmente programas infantis como Batatoon e MartAtaka (do qual já tinha falado aqui). Agora é igualmente no campo juvenil que a Hop! dá novas cartas. Triângulo Jota baseado nos livros de aventuras juvenis de Álvaro Magalhães é uma nova aposta da RTP. E é uma cartada tecnologicamente forte. Pela primeira vez se filma uma série em Alta Definição em Portugal. A RTP consciente do investimento não emite somente a série nas manhãs infantis mas por enquanto exibe-a também pouco antes do Telejornal de Domingo.
Triângulo Jota demarca-se assim da concorrência, Uma Aventura da Sic e O Clube das Chaves da TVI. Com uma produção muito cuidada, pormenores como o genérico, cenários e iluminação são muito bons para o que se faz normalmente cá nesta categoria de programas. Pelo primeiro episódio, o jovem elenco principal está à altura na interpretação, algo que nas séries concorrentes muitas vezes falha. Os nomes de famosos actores que vão fazer uma perninha como convidados também é de elogiar (Nicolau Breyner, António Cordeiro, Paulo Pires, Adelaide Sousa, Rui Unas). Mas nem tudo parece ter resultado muito por culpa da especificidade deste episódio onde recorre a dobragens e a um casting um tanto erróneo para personagens orientais. Por certo neste aspecto a série há-de melhorar.
Esperam-nos mais doze episódios (um já foi emitido) de 50 minutos cada. Pela boa aposta desejo que esta série tenha sucesso para que a produção juvenil por cá melhore. Triângulo J torna-se agora o alvo a abater pela concorrência. É bom ver a RTP a fazer ficção nacional e sobretudo infantil. Entreter bem os "pequenos" também é serviço público...