Saturday, February 04, 2006

Seth Fisher RIP





Seth Fisher RIP

O mundo dos Comics está de luto. Seth Fisher, jovem talento na casa dos 30 anos que começava a emergir faleceu inesperadamente e tragicamente um dia após a publicação do último capítulo da extravaganza que era Fantastic Four/Iron Man - Big in Japan. Este criador trouxe aos comics uma lufada de ar fresco com os seus surrealistas universos cheios de fantasia, loucura e cor. Não deixa infelizmente muita obra. Além da derradeira obra para a Marvel desenhou Pop! Tokyo na Vertigo, Green Lantern: Willworld, Flash - Time Flies na DC Comics e pouco mais. Este último trabalho referido é uma delirante piscadela a Little Nemo de Winsor McCay com o qual tinha sido nomeado para o Eisner Award. Também é de lhe assinalar o belo design do jogo Myst 3 - Exile.

Recorde-se que Seth Fisher já passou por Portugal no Festival de BD da Amadora em 2004, altura em que aproveita para colaborar com a King-Pin Comics na criação da imagem da loja.



Seth além de ter ainda muito para oferecer artísticamente teria ainda muito para dar como pai. Deixa no Japão onde vivia e morreu a sua esposa japonesa e um filho de tenra idade. Esperemos ao menos que agora que partiu tenha chegado a um mundo tão fascinante como aqueles que criou...

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Thursday, February 02, 2006

Triângulo J





Triângulo J

Henrique Oliveira é daqueles nomes que aparentemente nos parece familiar mas não nos diz nada à primeira vista. Mas se eu disser que foi o guitarrista dos míticos Taxi já esboçamos um sorriso. Não porque nos lembramos exactamente de quem é mas pelas boas memórias que temos da banda. No entanto, acho que é mais importante e justo fazer-lhe o elogio não pela sua faceta musical, mas pela posterior carreira como produtor audio-visual onde eleva a fasquia da qualidade televisiva em Portugal.

A produtora Miragem na qual Henrique Oliveira foi uma peça pilar marcou o panorama televisivo nacional com séries como Claxon e Major Alvega. Sendo séries muito cuidadas em termos de estética, Major Alvega (com Ricardo Carriço) torna-se um case-study pela forma como funde imagens reais e a banda desenhada. Foi mesmo exportada para o mercado internacional e nomeada para um Emmy. A esta série está também curiosamente ligada ao talento de Rui Ricardo, famoso cartonista da Art Vortex (com Esgar Acelerado) e responsáveis pela Superfuzz, publicada semanalmente no Blitz.

Já com Hop!, a nova encarnação da extinta Miragem, Henrique Oliveira produz principalmente programas infantis como Batatoon e MartAtaka (do qual já tinha falado aqui). Agora é igualmente no campo juvenil que a Hop! dá novas cartas. Triângulo Jota baseado nos livros de aventuras juvenis de Álvaro Magalhães é uma nova aposta da RTP. E é uma cartada tecnologicamente forte. Pela primeira vez se filma uma série em Alta Definição em Portugal. A RTP consciente do investimento não emite somente a série nas manhãs infantis mas por enquanto exibe-a também pouco antes do Telejornal de Domingo.

Triângulo Jota demarca-se assim da concorrência, Uma Aventura da Sic e O Clube das Chaves da TVI. Com uma produção muito cuidada, pormenores como o genérico, cenários e iluminação são muito bons para o que se faz normalmente cá nesta categoria de programas. Pelo primeiro episódio, o jovem elenco principal está à altura na interpretação, algo que nas séries concorrentes muitas vezes falha. Os nomes de famosos actores que vão fazer uma perninha como convidados também é de elogiar (Nicolau Breyner, António Cordeiro, Paulo Pires, Adelaide Sousa, Rui Unas). Mas nem tudo parece ter resultado muito por culpa da especificidade deste episódio onde recorre a dobragens e a um casting um tanto erróneo para personagens orientais. Por certo neste aspecto a série há-de melhorar.

Esperam-nos mais doze episódios (um já foi emitido) de 50 minutos cada. Pela boa aposta desejo que esta série tenha sucesso para que a produção juvenil por cá melhore. Triângulo J torna-se agora o alvo a abater pela concorrência. É bom ver a RTP a fazer ficção nacional e sobretudo infantil. Entreter bem os "pequenos" também é serviço público...

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Wednesday, February 01, 2006

Steamboy





Steamboy

Steamboy de 2004 era o aguardado novo projecto de Katsuhiro Ôtomo após a realização do objecto de culto que é Akira (1988). No entanto a sua estreia não foi um sucesso e passou muito despercebido nas salas de cinema. Em Portugal pelo que sei nem estreou. A sua temática provavelmente desapontou muitos que desejavam mais uma obra Cyberpunk como o anterior filme ou que fosse na onda de Matrix ou Ghost In The Shell. Mas desta vez Otomo tinha decidido enveredar por uma temática que começa a ganhar o seu canto na Ficção Científica, o Steampunk.



Por Steampunk, entende-se normalmente a exploração de realidades alternativas da Época Victoriana e princípio do Século XX mas onde o poder da tecnologia chegou precocemente e muitos mundos como os normalmente descritos por autores como Julio Verne e H.G Wells são efectivamente realidade. São estranhas visões em que o poder do vapor alimenta poderosos submarinos, navios, aviões e até naves espaciais. Alguma vezes mesmo os computadores já são aí uma realidade. Exemplos recentes mais conhecidos destes mundos são A Liga dos Extraordinários Cavalheiros (vertente mais victoriana) criado por Alan Moore, Wild Wild West (que aborda uma visão mais Western) ou as Cidades Obscuras (numa abordagem mais Arte Nova e Art Deco) de Schuiten e Peeters.



O filme centra-se na história de um rapaz, Ray Steam, seu pai e avô em plena Inglaterra victoriana. A família Steam são puros génios na manipulação do poder do vapor e escondem segredos e ideias que todos desejam ter. É uma bela fábula e ensaio sobre o uso que se dá à ciência. Aborda a ética e o preço que é necessário pagar para que a ciência avance e o modo como essas descobertas são usadas em benefício da Humanidade.



Este incompreendido filme que demorou uma década a ser realizado foi o mais caro feito no Japão em animação. Recorre a técnicas animação 3D mas apresenta um look tradicional como nos habitou por exemplo Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro, a Princesa Mononake). Com cenários encantadores que recriam por ex a Primeira Grande Exibição de Londres é um filme delicioso de se ver e uma bela reflexão moral. O argumento é algo linear e pouco profundo reconheça-se, e a forma como grande parte da história é contada no final é desapontante. No entanto como já disse a mensagem é forte e o imaginário visual do filme é o melhor de tudo.



Portugal já conhece uma edição DVD deste filme mas infelizmente não teve direito a uma versão de colecionador com um segundo disco de Extras. Recomenda-se então a importação já que duvido que venhamos doutra forma a conseguir uma bela edição como a versão americana.

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